Infowar: a guerra de narrativas



Nesta semana, presenciamos mais uma cena grotesca acerca de como a grande mídia, popularmente chamada de extrema-imprensa, age na guerra de narrativas. Como se pode ver nessa imagem paradoxal de um canal de grande circulação no país: um protesto carregando faixas com dizeres em defesa da revolução e ditadura do proletariado, aquela mesma que, em números oficiais, matou mais 100 milhões de pessoas (fontes diversas alegam até que tenham sido mais do que isso).

Dirão seus defensores mais ferrenhos, ou até cínicos, que tal pensamento não comunga com o que a maioria lá presente estava "reivindicando". Ok, mas ninguém acha estranha essa complacência toda com um lado, mas quando ocorre do outro lado a condenação é instantânea (até coordenada)? 

O filósofo da marxista Mikhail Bakhtin dizia que a língua é o campo de batalha onde ocorre a luta de classes. Essa concepção é o mote que serve como base para a guerra de narrativas, que passou a ser difundida pela esquerda mundial desde o final da Guerra do Golfo, tendo como seus principais teóricos Antonio Negri e Vito Campanelli, baseados na releitura de filósofos pós-modernos e desconstrucionistas como Michel Foucault, Gilles Deleuze e Jacques Derrida. 

A esses pensadores, vendo a vitória do capitalismo e da livre iniciativa no campo militar, econômico e político, restou tentar alcançar a vitória no campo da linguagem, reinterpretando fatos e/ou criando uma nova narrativa que coloque a liberdade e o capitalismo como vilões e geradores de todos os males.

A partir daí, pode-se observar um processo e corrupção vocabular aliado a um engessamento de termos que se reduzem a meros chavões a exemplo de palavras como democracia, fascismo, desigualdade, repressão. Todos eles conduzidos como peças de um padronizado xadrez político, o qual é regra nas redações da grande mídia. 

O mais interessante de tudo isso é que tal deturpação de termos tem uma função dupla: passar despercebido para pessoas comuns e socar como tambores frenéticos para uma massa militante e raivosa pronta para repetir ininterruptamente esses jargões.

Outro fator importante encontra-se na dicotomia entre impessoalidade e pessoalidade. Ocorre quando um veículo de mídia torna claros crimes violentos do seu inimigo, mas despersonificam os mesmos atos dos amigos. Vejamos isso na prática baixo:








Vejamos esse duplo padrão na prática. Na primeira e segunda imagem, o autor do atentado é sempre impessoal. "Explosão de pacote bomba" e "ataque com caminhão": explicitam-se os instrumentos dos ataques, mas não as características dos seus autores. Não se precisa dizer que ambos são membros do Estado Islâmico. Enquanto, no outro caso, é explicitado logo na manchete atentado de extrema-direita. Nem ao menos se coloca o rótulo no agente, mas julga-se um movimento inteiro.

Tais fatos servem como exemplo, mas não ficam somente nesses. Na última semana, por exemplo, vimos um show de horrores protagonizado pela CNN, seja por chamar de nazistas pessoas que levantavam bandeiras de símbolos tradicionais e sagrados da Ucrânia (sendo desmentidos imediatamente pelo embaixador ucraniano), seja por chamar movimentos violentos (Antifas) de democráticos enquanto chamara militantes pró-governo de autoritários.

Como ficou claro, isso não se trata de ato falho, ou cometido inocentemente por falta de esclarecimento, mas sim de um padrão de guerra política que passa despercebido por muitos conservadores e liberais, ao passo que inflama os militantes da esquerda radical.


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