O mito Enéas Carneiro

jussaradias #joãopessoas " 3,909 curtidas, 125 comentários - Brasil Com  Bolsonaro (@brasilcombolsonaro) no Instagram: … | Enéas carneiro, Carneiro,  Instagram

O fato de ter bom caráter por si só não define ninguém como sendo de direita. 

Enéas era um centro-esquerdista típico: estatólatra, nacionalista, antilivre mercado, positivista, acreditava num capitalismo de Estado, regulador e protetor de poucas empresas (oligopólios), e era inimigo da livre iniciativa e do direito natural (este que é o conceito jurídico ocidental por excelência, fruto da fusão entre a ética da filosofia grega e a tradição moral judaico-cristã). 

Então você, admirador do barbudo, retruca: “Mas ele era cristão, defendia a família e combatia o comunismo...” 

Meu amigo... vários militares brasileiros no regime militar também eram cristãos no âmbito privado e combatiam midiaticamente o comunismo, mas isto não significa que eles eram de direita e que combatiam a cultura socialista, e que principalmente sabiam articular a visão cristã com a (ciência) política. 

Foi precisamente no período do regime militar que a cultura marxista e a estratégia socialista mais cresceram no Brasil, com grandes cargos em jornais e universidades públicas sendo ocupados pela elite esquerdista e uma enxurrada de partidos de esquerda sendo criados. 

Houve neste processo um misto de negligência, da parte da maioria honesta deles, com a má-fé de uma minoria criminosa de generais já comprometidos naquela época com a agenda internacionalista-global do socialismo. 

De toda forma, tanto os primeiros quanto os segundos compartilhavam de um grave defeito: o desprezo pela prática genuína da cultura política de direita, liberal-conservadora, centrada no direito natural. 

Esses positivistas, dos quais políticos como Enéas espelhavam os traços, não entendiam o direito natural como único legado legítimo do cristianismo para a vida pública e social. 

Positivistas não compreendem que o cristianismo deve antes se arraigar na cultura do povo para só então ser um farol para o Estado (e ser precisamente um farol luminoso em relação ao Estado, que já é muito!) ao invés de ser um instrumento de Estado. 

Quando o Estado é escravo do direito natural ele não interfere na cultura cristã, e passa a se concentrar em proteger a liberdade dos cristãos e evitar que a Fé possa a ser controlada pelos governos, isto é, governada pela política dos homens sem autoridade religiosa. 

Os positivistas não entendem, pois, que é função do direito natural consolidar os direitos fundamentais na sociedade, sobretudo os três sagrados; vida, liberdade e propriedade, estritamente. 

Esse profundo despreparo intelectual, presente em boa parte dos militares (boa parte do alto comando) e que os fez contribuir (voluntária ou involuntariamente) com o movimento cultural marxista na ditadura, também ocorreu ao bom Enéas (que em si era autêntico e desprovido de má-fé). 

Enéas superava a média de “intelectuais” positivistas em conhecimento lógico e informações acumuladas, porém isto, no fundo, pouco serviu, pois não limpou nele o imaginário poluído de modernismos esquerdistas (regulações morais e econômicas, fragilização do voluntarismo cultural e individual, defesas de estatais e cartéis nas tais áreas estratégicas, etc.). Não lhe curou do velho fascismo. 

Enéas passou longe der ser um político conservador ou liberal conservador. Era um fascista do bem, mas, ainda assim, um fascista — em sentido exato. 

Enéas nunca foi nem será símbolo da direita. O melhor presidente que o Brasil não teve chama-se Carlos Lacerda. 

1- Ser nacionalista é acreditar na supremacia estatal da nação e não na soberania de seu povo. 

Ser patriota é amar a tradição cultural do país e a soberania do seu povo como bens anteriores e superiores ao Estado e defender os direitos fundamentais (liberdade, propriedade e vida), que tornam os compatriotas um povo livre. 

Ser nacionalista é ser de esquerda (centro-esquerda). 

Ser patriota é ser de direita. 

2- No dia que a Fé viesse a se tornar um instrumento do Estado, isto refletiria para o povo o grande perigo de que o poder do mundo seria maior que o verdadeiro poder de Deus, e que os vícios dos governantes e burocratas, que com eles teriam vasto alcance público e status oficial, seriam confundidos com a doutrina e o comportamento cristãos; 

Pior, os governantes e burocratas corromperiam a doutrina desde dentro, impedindo a Fé de converter genuinamente a comunidade.


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