BRASIL: ADVOGADOS SE PRONUNCIAM SOBRE SITUAÇÃO DE MANIFESTANTES PRESOS EM GINÁSIO DA PF


Os advogados Samuel Magalhães, Hellen Costa e André Alves, contratados para defender alguns manifestantes presos depois das depredações na Esplanada dos Ministérios, relataram a Oeste que a prisão das mais de 1,5 mil pessoas no ginásio da Polícia Federal (PF), em Brasília, é ilegal. Até a tarde desta terça-feira, 10, o número de detidos havia diminuído para 700.

“Quando perguntei para um policial se ele tinha a decisão da prisão com o flagrante de algum dos detidos, ele falou que estava apenas recebendo ordens de cima”, explicou Magalhães. “Essas pessoas não estão detidas, mas presas. Se estão aqui desde ontem, cadê a audiência de custódia? Não tem. Elas estão presas de forma ilegal. Uma senhora passou mal três vezes, foi atendida pelo Corpo de Bombeiros, mas não foi levada ao hospital.”

Os manifestantes estão na Acadêmia da PF desde a manhã de segunda-feira 9. “Eles chegaram por volta das 8 horas da manhã, mas só receberam alimentação às 18 horas”, denunciou Magalhães.

Inicialmente, crianças e idosos também estavam no local. Contudo, ontem à noite, os jovens foram levados por responsáveis ou pelo Conselho Tutelar. Já os idosos com mais de 60 anos e com comorbidades saíram do local nesta terça-feira, de ônibus. Eles seguiram em direção à Rodoviária de Brasília.

Segundo Magalhães, na Academia da PF está ocorrendo uma espécie de triagem. A intenção é facilitar o encaminhamento dos presos para o presídio da Papuda (masculino) e da Colmeia (feminino). No local, existem salas onde os policiais realizam individualmente os procedimentos de revista, identificação do manifestante e oitiva.

O advogado ainda explica que, na fase processual da prisão, é preciso que haja a individualização da pena de cada pessoa. E, para isso acontecer, é necessário ter provas de que eles, de fato, cometeram algum crime. Segundo a PF, até o momento, o número total de presos é de 727 pessoas.

“Ontem, atendi um senhor com problemas cardíacos, que estava com um filho autista”, disse o advogado, ao relatar o descaso com os detidos. “Ambos estavam no ginásio, sem nenhum medicamento. Tinha também uma senhora que estava indo para outra cidade e, no momento em que o ônibus com os manifestantes parou, ela perguntou se o veículo iria para o destino dela. Disseram que sim. Ela veio parar na Academia da PF e ficou aqui até as 2 horas da manhã.”

Em frente ao ginásio, muitos familiares ainda aguardavam notícias de seus entes queridos, mas não tiveram sucesso. Na ocasião, uma filha sentou-se na calçada e começou a chorar desesperadamente, pois não tinha nenhuma notícia da mãe.

“O que o ministro Alexandre de Moraes fez, basicamente, foi ‘pegar’ um estádio de futebol com torcidas organizadas envolvidas em uma confusão e mandar fechar tudo e prender a todos”, disse o advogado André Alves. “Mas será que todos realmente participaram da confusão? Em um presídio comum não se pode misturar homens e mulheres, quanto mais crianças e idosos. Mas todos estavam juntos.”

Pela manhã, a advogada Hellen Costa acompanhou algumas das mulheres presas no processo de corpo de delito do Instituto Médico Legal. A advogada explica que muitas delas estavam sangrando, sem ter acesso a nenhum absorvente. Outras ainda tiveram surtos psicóticos. “Elas não haviam nem se alimentado da forma correta”, destacou Hellen, ao afirmar que ela não estava defendendo atos de vandalismo. “Quem providenciou a alimentação foram os médicos legistas e os policiais que estavam nos acompanhando”, disse a advogada. “Dois policiais vieram conversar comigo. Um deles chorou, pedindo para a OAB tomar alguma posição, pois aquelas pessoas não eram criminosas.”

Fonte: Revista Oeste.

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