VÍDEO: NUNES MARQUES DECEPCIONA, VAI EMBORA DO STF E DÁ EXPLICAÇÃO INUSITADA



O ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), declarou-se impedido de participar da análise da Petição 16.662, que trata de informações obtidas pela Polícia Federal a partir do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. A decisão foi anunciada durante a sessão extraordinária do Supremo realizada nesta terça-feira (15).


A manifestação ocorreu depois que mensagens extraídas do aparelho de Vorcaro passaram a mencionar o nome de Kevin de Carvalho Marques, filho do ministro. O conteúdo das conversas provocou questionamentos sobre uma possível relação profissional entre o advogado e pessoas ligadas ao Banco Master. Kevin Marques nega ter prestado serviços ao banco ou recebido pagamentos diretamente de Vorcaro.


Ao falar no plenário, Nunes Marques apresentou esclarecimentos sobre o episódio e afirmou que seu filho nunca recebeu remuneração do Banco Master. O ministro também negou ter mantido qualquer troca de mensagens com Daniel Vorcaro.


As informações divulgadas sobre o celular do banqueiro incluem conversas nas quais o nome de Kevin Marques aparece associado a um valor de R$ 500 mil mensais. O conteúdo, segundo as reportagens que tiveram acesso às mensagens, foi encaminhado por um diretor jurídico do Banco Master a Vorcaro. O advogado, entretanto, afirma que não trabalhou para o banco e que os serviços jurídicos prestados por ele foram realizados para outra empresa.


Nunes Marques também destacou que, caso tivesse sido beneficiado ou influenciado de alguma maneira por Vorcaro, não teria adotado decisões contrárias aos interesses do banqueiro. Durante sua manifestação, o ministro mencionou especificamente seu posicionamento favorável à prisão de Vorcaro como um dos elementos utilizados para sustentar sua argumentação.


O magistrado afirmou ainda que nunca julgou processos relacionados ao Banco Master e reforçou que não possui comunicação direta com o banqueiro. A declaração ocorreu em meio à análise de documentos e mensagens que integram o material produzido pela Polícia Federal.


Além das referências ao filho, Nunes Marques apresentou outro fundamento para seu afastamento do julgamento. Como presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o ministro avaliou que o caso poderia produzir repercussões no cenário político e eleitoral. Por esse motivo, afirmou não se sentir confortável em participar da deliberação.


Com o impedimento, Nunes Marques deixou de participar da votação sobre a Petição 16.662. O ministro Dias Toffoli também ficou fora da análise, após declarar suspeição. Alexandre de Moraes, que é diretamente relacionado ao pedido de investigação, igualmente não participa da votação. Dessa forma, o número de ministros aptos a deliberar sobre o caso foi reduzido.


A Petição 16.662 está relacionada à análise de informações extraídas do celular de Vorcaro e à discussão sobre a existência de elementos que justifiquem uma investigação envolvendo Alexandre de Moraes. A eventual abertura de apuração não representa, por si só, uma conclusão sobre responsabilidade ou irregularidade.


Durante a sessão, Nunes Marques defendeu que os fatos fossem avaliados a partir do conteúdo efetivamente disponível nos documentos. O ministro também fez referência à quebra do sigilo das informações, argumentando que, diante da divulgação do material, os fatos deveriam ser examinados com base nos elementos concretos apresentados.


O afastamento do ministro ocorreu, portanto, em um momento de forte atenção sobre as mensagens encontradas no celular de Vorcaro e sobre as relações mencionadas nos documentos. A análise do material continua sob responsabilidade dos demais ministros habilitados a participar do julgamento.

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