BRASIL: PF REVELA INVASÃO DE IA ESPIÃ DO GOVERNO FEDERAL E ENVOLVIMENTO DO PCC PARA MONITORAR MORO E STF; ENTENDA


A Polícia Federal (PF) revelou um grave caso de invasão ao sistema de inteligência artificial Córtex, desenvolvido pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, envolvendo a atuação de criminosos ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo a investigação, integrantes da facção obtiveram acesso não autorizado à plataforma e a utilizaram para monitorar autoridades, incluindo o senador Sérgio Moro, o promotor Lincoln Gakiya e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A situação expõe falhas de segurança em sistemas governamentais sensíveis e levanta preocupações sobre o controle de dados estratégicos.

O Córtex é uma ferramenta que integra diferentes bancos de dados sigilosos, como informações da Receita Federal, Detrans, Coaf, SUS, além de imagens de câmeras de segurança e radares de trânsito em tempo real. Seu uso é restrito a órgãos públicos e destinado a apoiar investigações e operações de segurança. No entanto, a PF constatou que hackers conseguiram invadir o sistema e comercializar acessos por meio de uma plataforma chamada “i-Find”, que contava com cerca de 10 mil assinantes. Estima-se que o grupo tenha arrecadado aproximadamente R$ 10 milhões entre 2020 e 2024 com a venda de informações confidenciais.

As investigações indicam que o PCC utilizou os dados obtidos de forma ilegal para planejar ataques contra autoridades. Em 2023, a facção arquitetou tentativas de assassinato contra Moro e Gakiya, demonstrando que o acesso indevido ao Córtex não se limitou a espionagem, mas representou um risco real à segurança de agentes públicos. A PF identificou que diversas consultas feitas na plataforma ilegal estavam diretamente relacionadas a esses planos criminosos, revelando o alcance e a gravidade do uso do sistema invadido.

Além disso, a Gazeta do Povo identificou que cerca de mil logins e senhas do Córtex estavam disponíveis na internet, acessíveis a qualquer pessoa disposta a pagar pelo acesso. Especialistas em segurança da informação alertam que a falta de medidas de controle adequadas pelo Ministério da Justiça contribuiu para o vazamento, expondo dados sensíveis e potencialmente colocando vidas em risco.

A PF concluiu a primeira fase do inquérito, indiciando três pessoas envolvidas no esquema, incluindo um jovem de 22 anos apontado como líder da operação. A investigação segue em andamento, com o objetivo de identificar outros possíveis participantes e avaliar os danos causados pelo uso indevido da inteligência artificial.

O caso evidencia a vulnerabilidade de sistemas estratégicos do governo brasileiro frente a ataques cibernéticos e a necessidade urgente de reforço na segurança digital. Também ressalta o risco de utilização de tecnologias avançadas por organizações criminosas, tornando imprescindível o monitoramento contínuo e o aperfeiçoamento de protocolos de proteção para evitar novos episódios que possam comprometer a segurança de autoridades e a integridade de informações sensíveis do Estado.


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