MUNDO: GOVERNO DOS EUA PUNE MINISTRO DE LULA, SUA MULHER E SUA FILHA


O governo dos Estados Unidos cancelou os vistos da esposa e da filha, de 10 anos, do ministro da Saúde, Alexandre Padilha. As duas estão atualmente no Brasil e foram informadas da decisão por meio de comunicados enviados pelo Consulado-Geral norte-americano em São Paulo. A justificativa apresentada foi que, após a emissão dos documentos, surgiram informações que tornaram as titulares não mais elegíveis para a entrada em território americano.

O próprio ministro não foi afetado pela medida, pois seu visto havia expirado no ano passado. Segundo as regras norte-americanas, o cancelamento impede o ingresso nos Estados Unidos e, para quem já estiver no país, a saída implica na perda imediata da autorização.

A ação contra familiares de Padilha faz parte de um movimento mais amplo do Departamento de Estado, que, nesta semana, também revogou vistos de outros brasileiros vinculados ao programa Mais Médicos. Entre os atingidos estão Mozart Julio Tabosa Sales, atual secretário de Atenção Especializada à Saúde, e Alberto Kleiman, ex-assessor de Relações Internacionais do ministério e atualmente coordenador-geral para a COP30.

O governo americano acusa o Mais Médicos de explorar profissionais cubanos e de gerar benefícios financeiros para o regime de Cuba, com suposta conivência de autoridades brasileiras e de integrantes da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). Essa posição foi divulgada pela embaixada dos Estados Unidos em Brasília, por meio de comunicado da Agência para as Relações com o Hemisfério Ocidental.

O programa Mais Médicos foi criado em 2013, durante a primeira passagem de Padilha pelo Ministério da Saúde, com o objetivo de ampliar a presença de profissionais em regiões carentes. A iniciativa atraiu médicos cubanos por meio de um acordo mediado pela Opas. Críticos da medida argumentam que parte da remuneração era retida pelo governo de Cuba, o que caracterizaria violação de direitos trabalhistas e exploração profissional.

O cancelamento de vistos por parte dos Estados Unidos não se limita a integrantes do Executivo. Em julho deste ano, ministros do Supremo Tribunal Federal também foram alvo da medida. Na ocasião, Alexandre de Moraes e familiares, além de outros sete ministros, tiveram a entrada nos EUA bloqueada. Apenas André Mendonça, Nunes Marques e Luiz Fux ficaram de fora. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, também teve seu visto suspenso.

Paralelamente, o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro, que se mudou para os Estados Unidos, tem buscado apoio político junto ao governo Donald Trump para que sejam aplicadas sanções adicionais ao Brasil. Segundo ele e seus aliados, as medidas serviriam como resposta ao julgamento e à condenação de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado. Eduardo é investigado pelo Supremo por suposta tentativa de obstruir processos judiciais, mas mantém sua atuação no exterior com críticas ao governo brasileiro e ao Judiciário.

O episódio reforça a escalada de tensões diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos, com impactos que vão além do campo político e podem afetar negociações bilaterais e a cooperação internacional em diferentes áreas.


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