Em comunicado oficial, o ministro classificou as restrições como arbitrárias e autoritárias, afirmando que prejudicam a capacidade do Brasil de atuar plenamente em fóruns internacionais. Ele destacou ainda que a medida compromete a cooperação entre países e pode afetar negativamente iniciativas globais de saúde, como o trabalho do Brasil na Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).
Padilha também mencionou que, no mês de agosto, sua esposa e filha tiveram seus vistos cancelados, assim como servidores e ex-servidores do Ministério da Saúde ligados ao programa Mais Médicos. Segundo ele, essas ações configuram uma forma de retaliação pelo papel do Brasil na defesa das vacinas, da ciência e da democracia.
O governo brasileiro registrou formalmente um protesto junto à ONU, solicitando a intervenção do secretário-geral António Guterres para que os Estados Unidos garantam o livre acesso de representantes de países membros. O chanceler Mauro Vieira classificou as restrições como injustas e sem fundamento, criticando a medida adotada pelo país norte-americano.
O cancelamento da viagem de Padilha ocorre em meio a um clima de tensões diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos. Recentemente, Washington impôs tarifas de 50% sobre produtos brasileiros e revogou vistos de ministros do Supremo Tribunal Federal, incluindo Alexandre de Moraes, alegando suposta perseguição política contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. Essas ações têm gerado críticas em Brasília, que vê nelas uma tentativa de interferir na soberania nacional.
Apesar de não comparecer pessoalmente, o Ministério da Saúde garantiu que o Brasil continuará participando das discussões internacionais sobre saúde por meio de sua delegação em Nova York e Washington. Padilha reafirmou o compromisso do país com a promoção da ciência, da saúde, da paz e da democracia em fóruns internacionais.
O episódio evidencia como tensões diplomáticas podem afetar diretamente a participação de representantes de governos em eventos multilaterais, reforçando a importância de respeitar a soberania e os direitos dos países no âmbito internacional.
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