VIDEO: MINISTRO CANCELA VIAGEM AOS EUA APÓS ATO DE TRUMP


Na sexta-feira, 19 de setembro de 2025, o ministro da Saúde do Brasil, Alexandre Padilha, anunciou o cancelamento de sua participação na Assembleia Geral da ONU em Nova York devido a restrições impostas pelo governo dos Estados Unidos. Apesar de ter recebido o visto, Padilha foi informado de que sua circulação nos EUA seria limitada a áreas específicas, incluindo a sede da ONU, a missão diplomática brasileira e o hotel em que ficaria hospedado. O governo brasileiro interpretou essa limitação como uma afronta à soberania nacional e uma violação das normas diplomáticas estabelecidas pelo Acordo de Sede da ONU.

Em comunicado oficial, o ministro classificou as restrições como arbitrárias e autoritárias, afirmando que prejudicam a capacidade do Brasil de atuar plenamente em fóruns internacionais. Ele destacou ainda que a medida compromete a cooperação entre países e pode afetar negativamente iniciativas globais de saúde, como o trabalho do Brasil na Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).

Padilha também mencionou que, no mês de agosto, sua esposa e filha tiveram seus vistos cancelados, assim como servidores e ex-servidores do Ministério da Saúde ligados ao programa Mais Médicos. Segundo ele, essas ações configuram uma forma de retaliação pelo papel do Brasil na defesa das vacinas, da ciência e da democracia.

O governo brasileiro registrou formalmente um protesto junto à ONU, solicitando a intervenção do secretário-geral António Guterres para que os Estados Unidos garantam o livre acesso de representantes de países membros. O chanceler Mauro Vieira classificou as restrições como injustas e sem fundamento, criticando a medida adotada pelo país norte-americano.

O cancelamento da viagem de Padilha ocorre em meio a um clima de tensões diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos. Recentemente, Washington impôs tarifas de 50% sobre produtos brasileiros e revogou vistos de ministros do Supremo Tribunal Federal, incluindo Alexandre de Moraes, alegando suposta perseguição política contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. Essas ações têm gerado críticas em Brasília, que vê nelas uma tentativa de interferir na soberania nacional.

Apesar de não comparecer pessoalmente, o Ministério da Saúde garantiu que o Brasil continuará participando das discussões internacionais sobre saúde por meio de sua delegação em Nova York e Washington. Padilha reafirmou o compromisso do país com a promoção da ciência, da saúde, da paz e da democracia em fóruns internacionais.

O episódio evidencia como tensões diplomáticas podem afetar diretamente a participação de representantes de governos em eventos multilaterais, reforçando a importância de respeitar a soberania e os direitos dos países no âmbito internacional.


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