O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva já se movimenta nos bastidores para promover uma ampla reorganização da Esplanada dos Ministérios ao longo de 2026. A mudança é motivada pelo calendário eleitoral, que deve provocar a saída de até 22 dos atuais 38 ministros para a disputa de cargos nas eleições nacionais e estaduais. A legislação obriga que ocupantes de funções no Executivo deixem os cargos até abril do ano eleitoral caso pretendam concorrer.
A perspectiva de tantas saídas ao mesmo tempo cria um cenário complexo para o Palácio do Planalto. Por um lado, a reformulação abre espaço para a entrada de nomes mais técnicos e menos vinculados à disputa eleitoral direta. Por outro, o governo corre o risco de perder força política justamente em um momento sensível, quando a articulação com o Congresso será decisiva para a aprovação de projetos e para a sustentação da agenda do Executivo.
Segundo interlocutores do governo, Lula pretende conduzir o processo de forma controlada. A ideia é realizar reuniões individuais com ministros que demonstraram interesse em disputar eleições, para alinhar prazos, expectativas e estratégias. As substituições não devem ocorrer todas de uma vez, mas de forma escalonada, com o objetivo de evitar um esvaziamento repentino da estrutura ministerial e reduzir impactos na governabilidade.
Entre os ministros cotados para deixar o governo, há nomes de peso. Oito integrantes do primeiro escalão avaliam concorrer a vagas no Senado Federal, enquanto cinco devem disputar cadeiras na Câmara dos Deputados. Além disso, pelo menos dois ministros estudam a possibilidade de entrar na corrida por governos estaduais. Esse movimento reforça o caráter político da Esplanada e evidencia o uso do ministério como plataforma eleitoral, prática recorrente na política brasileira.
Nos bastidores, circulam especulações envolvendo figuras centrais do governo. Fernando Haddad, por exemplo, aparece como um dos nomes mais comentados, seja pela relevância de sua pasta, seja pelo peso político que carrega. Rui Costa, Simone Tebet e outros ministros de perfil nacional também são citados como possíveis candidatos, o que exigiria do presidente decisões delicadas sobre substituições e rearranjos internos.
A eventual saída desses quadros levanta dúvidas sobre o equilíbrio entre técnica e política no novo desenho ministerial. Embora a entrada de nomes técnicos possa agradar setores do mercado e da administração pública, a ausência de ministros com trânsito político pode dificultar negociações no Congresso, especialmente em um cenário de fragmentação partidária e disputas por protagonismo no ano eleitoral.
Parlamentares da base aliada acompanham o movimento com atenção. Há receio de que a troca de ministros enfraqueça canais de diálogo já estabelecidos e complique a relação do governo com líderes partidários. Ao mesmo tempo, partidos aliados veem na reforma uma oportunidade de ampliar espaço no governo, indicando novos nomes para cargos estratégicos.
O próprio presidente Lula tem demonstrado cautela ao tratar do tema. A prioridade, segundo aliados, é manter a estabilidade administrativa e evitar que a máquina pública fique paralisada por causa do processo eleitoral. Ainda assim, o impacto da reformulação é considerado inevitável e deve marcar profundamente o último ano antes das eleições.
Com a aproximação de 2026, a reforma ministerial tende a se tornar um dos principais focos do debate político em Brasília. As decisões tomadas por Lula não apenas influenciarão o desempenho eleitoral de aliados, mas também definirão o grau de governabilidade do Executivo em um período decisivo para o futuro político do país.
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