A repressão aos protestos que se espalham pelo Irã já provocou a morte de ao menos 5 mil pessoas, segundo informações que circulam no meio diplomático e em organizações que acompanham a situação no país. As manifestações, que ultrapassam 20 dias consecutivos, representam um dos maiores desafios enfrentados pelo regime dos aiatolás desde a Revolução Islâmica de 1979, marco que instituiu o atual sistema político iraniano.
Confira detalhes no vídeo:
Os atos tiveram início em diferentes cidades e rapidamente ganharam dimensão nacional, impulsionados por um sentimento generalizado de insatisfação com a condução política, econômica e social do país. Manifestantes pedem abertamente o fim do regime religioso que governa o Irã há mais de quatro décadas, algo considerado inédito pela intensidade e pela abrangência dos protestos recentes.
Escalada da repressão
Diante do avanço das manifestações, as forças de segurança intensificaram a repressão, utilizando métodos considerados extremos por observadores internacionais. Relatos indicam o uso de forças militares, polícia e grupos paramilitares para dispersar protestos, além de prisões em massa, bloqueio de comunicações e restrições severas à circulação de informações.
O elevado número de mortos evidencia a dimensão da violência empregada pelo Estado para conter a mobilização popular. Além das vítimas fatais, milhares de pessoas teriam ficado feridas ou sido detidas, muitas delas sem informações claras sobre seu paradeiro ou condições de saúde. Famílias relatam dificuldades para obter notícias de parentes presos, o que aumenta o clima de medo e insegurança.
Protestos com pautas amplas
Embora os protestos tenham sido motivados inicialmente por questões específicas, o movimento rapidamente incorporou reivindicações mais amplas. A principal delas é o fim do regime dos aiatolás, no poder desde 1979. Os manifestantes criticam a falta de liberdades individuais, a repressão política, as dificuldades econômicas agravadas por sanções internacionais e o alto custo de vida.
Jovens e mulheres têm desempenhado papel central nas manifestações, desafiando abertamente normas impostas pelo Estado religioso. Em várias cidades, slogans contra líderes do regime e símbolos do sistema político passaram a ser exibidos em locais públicos, demonstrando um nível elevado de contestação.
Reação internacional
A escalada da violência no Irã gerou preocupação na comunidade internacional. Governos e entidades de defesa dos direitos humanos acompanham os desdobramentos com atenção, diante das denúncias de violações graves, incluindo execuções sumárias e uso desproporcional da força contra civis.
Apesar das pressões externas, as autoridades iranianas mantêm um discurso de firmeza, classificando os protestos como resultado de interferência estrangeira e prometendo medidas duras contra os participantes. Essa postura indica que, ao menos no curto prazo, o regime não pretende ceder às demandas apresentadas nas ruas.
Cenário de incerteza
Com mais de três semanas de manifestações contínuas e um número elevado de mortos, o Irã vive um momento de profunda instabilidade. Analistas avaliam que a persistência dos protestos, mesmo diante da repressão, revela um desgaste significativo do regime e um descontentamento social difícil de conter apenas pela força.
O desfecho da crise permanece incerto. Enquanto o governo aposta no endurecimento para manter o controle, parte da população segue mobilizada, disposta a desafiar um sistema que governa o país há mais de 40 anos. O confronto entre repressão estatal e resistência popular coloca o Irã diante de um dos períodos mais tensos de sua história recente.
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