O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chega ao início do ano eleitoral de 2026 sob um quadro desfavorável de avaliação popular. Levantamentos recentes mostram que 57% da população desaprovam seu desempenho pessoal, enquanto apenas 34% manifestam aprovação. A percepção sobre o governo, embora ligeiramente menos negativa, também segue majoritariamente crítica, com 53% de reprovação e 41% de aprovação. Os números refletem um processo contínuo de desgaste da imagem presidencial ao longo de quase dois anos de mandato.
A comparação com pesquisas anteriores revela que a distância entre aprovação e desaprovação aumentou de forma significativa nesse período, mais que dobrando. Esse movimento indica um enfraquecimento consistente da base de apoio ao presidente. Mesmo assim, Lula ainda aparece competitivo em cenários eleitorais, principalmente pela ausência de um nome da oposição que consiga, até agora, reunir consenso e força suficientes para se apresentar como alternativa sólida.
Diante desse cenário, o governo tem adotado estratégias típicas de anos eleitorais para tentar recuperar parte do eleitorado. Entre elas está o lançamento de um pacote de estímulos econômicos estimado em cerca de 88 bilhões de reais. Embora muitas das medidas não afetem diretamente o resultado primário, elas representam um impulso fiscal relevante, com potencial de aquecer a economia no curto prazo, ainda que tragam riscos de pressão inflacionária e maior dificuldade no controle das contas públicas no futuro.
A lógica por trás dessa estratégia é conhecida: utilizar os instrumentos do Estado para criar uma percepção positiva de melhora econômica antes da eleição, mesmo que os efeitos colaterais só se manifestem mais adiante. O cálculo político considera que eventuais consequências negativas tendem a surgir após o pleito, reduzindo o impacto eleitoral imediato sobre quem está no poder.
Ao mesmo tempo, o presidente tem buscado se desvincular de episódios que possam ampliar o desgaste político, como o escândalo envolvendo o Banco Master. Em declarações públicas, Lula demonstrou indignação com o caso e afirmou desconhecer detalhes de contratos ligados ao episódio. Nos bastidores, porém, a condução do tema teria gerado insatisfação no Supremo Tribunal Federal, onde ministros avaliam que o governo se beneficiou da atuação da Corte em momentos anteriores, mas agora evita dividir o desgaste político.
Essa relação tensa com o STF se soma a movimentações políticas estratégicas. Há relatos de que o presidente teria sugerido, de forma reservada, a saída de um ministro da Corte, o que abriria uma nova vaga para indicação presidencial. Além de aliviar pressões institucionais, a mudança permitiria a Lula ampliar sua influência política e acomodar aliados relevantes no tabuleiro de 2026.
Outro ponto que chama atenção é o crescimento expressivo dos gastos com comunicação institucional. Mesmo com limitações orçamentárias em áreas sensíveis, como educação e segurança pública, os recursos destinados à divulgação das ações do governo foram ampliados de forma significativa. A aposta é que uma presença mais forte na comunicação ajude a melhorar a imagem do governo, embora analistas apontem que os resultados práticos têm se mostrado limitados.
Com a aproximação da disputa presidencial e o avanço das articulações no campo oposicionista, o ambiente político tende a ficar mais acirrado. A queda nos índices de aprovação funciona como um sinal de alerta para o Planalto, enquanto a eleição de 2026 se desenha como um confronto decisivo, marcado por disputas intensas e por um eleitorado cada vez mais dividido.
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