Um estudo recente aponta que, durante o atual governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, houve uma ampliação no uso do sigilo como fundamento para negar solicitações feitas com base na Lei de Acesso à Informação. Entre 2023 e 2025, mais de 30 mil pedidos encaminhados por cidadãos a órgãos federais deixaram de ser respondidos, o que evidencia um cenário de maior dificuldade para obtenção de dados públicos e reforça preocupações relacionadas à transparência administrativa.
Cresce a proporção de negativas
Os números mostram que 34% dos pedidos analisados foram negados sob a justificativa de sigilo, percentual superior ao observado na gestão anterior. Esse aumento tem provocado debates sobre a forma como a legislação vem sendo aplicada, já que a Lei de Acesso à Informação estabelece que a divulgação deve ser a regra, e o sigilo, uma exceção restrita a situações específicas previstas em lei.
Especialistas em transparência pública apontam que a elevação desse índice pode indicar interpretações mais rígidas por parte dos órgãos governamentais. Informações relacionadas a contratos, despesas, processos administrativos e agendas oficiais, que tradicionalmente despertam interesse público, têm sido enquadradas com maior frequência em categorias que impedem o acesso, limitando o acompanhamento das ações do Estado pela sociedade.
Pedidos ignorados agravam o cenário
Outro dado que chama atenção no levantamento é o volume de solicitações que sequer receberam resposta. Mais de 30 mil pedidos ficaram sem qualquer retorno no período analisado, o que contraria os prazos estabelecidos pela própria legislação. A falta de resposta é vista como uma falha grave, pois impede que o solicitante saiba se a informação existe, se está protegida por sigilo ou se será disponibilizada em outro momento.
Para jornalistas, pesquisadores e cidadãos que utilizam a LAI como instrumento de fiscalização e controle social, a ausência de retorno gera insegurança e desestimula o uso do mecanismo. Além disso, reforça a percepção de que a divulgação espontânea de dados pelo governo ainda não é suficiente para atender às demandas da população.
Justificativas oficiais
A Controladoria-Geral da União, responsável por supervisionar a aplicação da Lei de Acesso à Informação no âmbito federal, sustenta que as negativas seguem os critérios definidos na legislação em vigor. O órgão argumenta que muitas informações envolvem dados pessoais, estratégias governamentais ou temas sensíveis que, se divulgados, poderiam comprometer a segurança institucional ou o andamento de investigações.
Segundo a CGU, o aumento no número de pedidos e a complexidade de parte das solicitações também contribuem para o crescimento das negativas e para os atrasos nas respostas. Ainda assim, o órgão reconhece a necessidade de aprimorar procedimentos internos e investir na capacitação dos servidores responsáveis pela análise dos requerimentos.
Transparência em debate
O avanço do uso do sigilo volta a colocar em pauta a discussão sobre os limites entre o direito à informação e a proteção de dados sensíveis no setor público. Defensores da transparência afirmam que é essencial fortalecer a cultura de abertura e evitar interpretações excessivamente restritivas da lei. Já o governo afirma atuar dentro dos parâmetros legais e sustenta que o sigilo, quando aplicado, busca preservar o interesse público.
Enquanto o debate continua, os dados do levantamento indicam que o acesso à informação enfrenta obstáculos adicionais no atual contexto político-administrativo, reforçando a importância de vigilância permanente sobre a aplicação da lei e o compromisso do Estado com a transparência.
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