O Exército Venezuelano, que deveria cumprir o papel constitucional de defender a soberania nacional e garantir a segurança da população, tornou-se alvo de críticas recorrentes dentro e fora do país. Analistas, jornalistas e organismos internacionais apontam que a instituição passou por um processo de deformação estrutural, marcado pela politização extrema, pelo inchaço hierárquico e por denúncias persistentes de corrupção e envolvimento em atividades ilícitas.
Um dos dados mais citados nesse debate é o número desproporcional de generais. Estimativas indicam que a Venezuela possui cerca de dois mil oficiais-generais, um contingente considerado anômalo quando comparado a forças armadas de países com maior população, território ou poder militar. Para especialistas, esse excesso não reflete força, mas sim uma estratégia de cooptação: distribuir patentes elevadas como forma de garantir lealdade ao regime no poder.
Na prática, a estrutura militar venezuelana tem sido acusada de se afastar de suas funções essenciais. Não há registros recentes de investimentos consistentes em defesa de fronteiras, modernização bélica ou preparo para conflitos externos. Em contrapartida, cresce o número de denúncias sobre a atuação de militares em áreas econômicas estratégicas, como mineração, petróleo, importações, controle de portos e distribuição de alimentos.
Relatórios internacionais e investigações jornalísticas também associam setores das Forças Armadas ao narcotráfico, contrabando de ouro, tráfico de combustível e proteção a grupos criminosos. O chamado “Cartel de los Soles”, supostamente formado por altos oficiais, é frequentemente citado como símbolo dessa fusão entre poder militar e crime organizado, embora o governo venezuelano negue todas as acusações.
Outro ponto sensível é o papel do Exército no controle interno. Em vez de atuar prioritariamente na defesa nacional, tropas são mobilizadas para reprimir protestos, vigiar comunidades e sustentar politicamente o governo. Organizações de direitos humanos denunciam o uso excessivo da força, prisões arbitrárias e perseguição a opositores, com participação direta ou indireta de militares.
Internamente, a lógica que sustenta essa estrutura seria menos ideológica e mais pragmática. A fidelidade dos comandantes não estaria baseada em convicções nacionais ou doutrinárias, mas na preservação de privilégios econômicos e jurídicos. Perder o apoio do regime significaria, para muitos, perder acesso a recursos, proteção institucional e, possivelmente, enfrentar processos judiciais dentro ou fora do país.
Para analistas militares, esse modelo compromete qualquer capacidade real de combate. Um Exército excessivamente hierarquizado, voltado para negócios e repressão interna, tende a ser ineficiente em cenários de guerra convencional. A ausência de profissionalização, treinamento moderno e cadeia de comando funcional enfraquece a instituição como força armada legítima.
O resultado é uma corporação que, segundo críticos, deixou de servir à pátria para servir ao poder. Um Exército forte no papel, mas frágil em missão, que sustenta um regime político enquanto a população enfrenta crise econômica, escassez e insegurança. A longo prazo, especialistas alertam que essa distorção cobra um preço alto: destrói a credibilidade institucional e aprofunda o colapso do Estado venezuelano.
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