O governo federal registrou, ao longo de 2025, um volume expressivo de denúncias de assédio moral no serviço público. Ao todo, foram contabilizadas 7.200 queixas, o que representa uma média aproximada de 20 registros por dia. Os números revelam um cenário de alerta dentro da administração pública e indicam um crescimento significativo desse tipo de reclamação em relação ao ano anterior.
De acordo com os dados consolidados, houve um aumento de 62% no número de denúncias quando comparado a 2024. Esse avanço chama atenção não apenas pela quantidade absoluta, mas pela velocidade com que os registros cresceram em apenas um ano. O dado reforça a percepção de que o problema é estrutural e não se limita a casos isolados dentro da máquina pública.
As denúncias foram formalizadas por meio das ouvidorias de 301 órgãos federais espalhados pelo país. Esses canais são utilizados por servidores e trabalhadores para relatar situações de constrangimento, humilhação, perseguição ou abuso psicológico no ambiente de trabalho. O grande número de órgãos envolvidos mostra que o assédio moral está presente em diferentes áreas da administração, sem se restringir a um setor específico.
Entre os órgãos com maior volume de registros, a Controladoria-Geral da União aparece no topo da lista. Em seguida, estão o Ministério do Trabalho e o Ministério da Saúde, ambos com número elevado de reclamações. A concentração das denúncias nessas pastas levanta questionamentos sobre as condições de trabalho, as relações hierárquicas e os mecanismos internos de prevenção e enfrentamento desse tipo de conduta.
Especialistas apontam que o crescimento das denúncias pode ter múltiplas causas. Uma delas é o aumento da conscientização dos servidores sobre o que caracteriza assédio moral, o que leva mais pessoas a formalizar queixas. Outra possibilidade é a ampliação do acesso aos canais de denúncia, que se tornaram mais conhecidos e utilizados nos últimos anos. Ainda assim, esses fatores não explicam sozinhos um crescimento tão expressivo em curto prazo.
O assédio moral no ambiente de trabalho costuma envolver práticas repetitivas, como cobranças excessivas, exposição ao ridículo, isolamento profissional e ameaças veladas. Esse tipo de comportamento afeta diretamente a saúde mental dos trabalhadores, impacta a produtividade e deteriora o clima organizacional. No setor público, o problema ganha contornos ainda mais graves, pois compromete a eficiência dos serviços prestados à população.
Diante do aumento das denúncias, cresce a pressão para que o governo federal adote medidas mais eficazes de prevenção e responsabilização. Programas de capacitação, fortalecimento das corregedorias e punição de gestores envolvidos em práticas abusivas estão entre as ações cobradas por entidades representativas dos servidores. A expectativa é que os números sirvam como base para mudanças concretas na gestão de pessoas.
O levantamento expõe uma realidade incômoda para o governo Lula e reforça a necessidade de respostas rápidas. Mais do que registrar denúncias, o desafio agora é transformar esses dados em ações efetivas, capazes de reduzir os casos de assédio moral e garantir ambientes de trabalho mais seguros e respeitosos dentro da administração pública federal.
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