BRASIL: INDÍGENAS RADICAIS INVADEM TERMINAL DO PARÁ





Indígenas realizaram uma ocupação no terminal da multinacional Cargill localizado no Porto de Santarém, no oeste do Pará, na madrugada deste sábado. A ação ocorreu como forma de protesto contra a inclusão de rios amazônicos no Programa de Desestatização do governo federal e teve início após, segundo o movimento, repetidas tentativas frustradas de diálogo com autoridades federais.

Confira detalhes no vídeo:


O grupo entrou no terminal ainda durante a madrugada, surpreendendo trabalhadores e equipes de segurança. A ocupação foi organizada por representantes de diferentes povos indígenas da região do Baixo Amazonas, que alegam preocupação com possíveis impactos sociais, ambientais e culturais decorrentes da concessão ou privatização de trechos fluviais utilizados historicamente pelas comunidades tradicionais. Para os manifestantes, os rios não podem ser tratados apenas como ativos econômicos, pois representam meios de subsistência, deslocamento e preservação cultural.

De acordo com lideranças indígenas, o protesto foi motivado pela ausência de respostas concretas do governo federal às reivindicações apresentadas nos últimos meses. Entre as demandas estão a realização de consultas prévias às comunidades afetadas, a garantia de proteção ambiental e o reconhecimento dos direitos dos povos indígenas sobre os territórios e recursos naturais utilizados há gerações. Os manifestantes afirmam que tentaram diálogo institucional, mas não obtiveram retorno satisfatório, o que levou à decisão de ocupar o terminal como forma de chamar atenção pública.

A ocupação provocou impacto temporário nas operações do porto, que é considerado estratégico para o escoamento de grãos e outras commodities da região Norte. O terminal da Cargill em Santarém é um dos principais pontos logísticos do agronegócio no Pará, conectando a produção do interior do país aos mercados internacionais. A interrupção das atividades gerou preocupação entre operadores logísticos e produtores, embora até o momento não haja registro de confrontos ou danos graves à estrutura.

Representantes do movimento indígena destacaram que a escolha do local não foi aleatória. Segundo eles, o porto simboliza o avanço de grandes empreendimentos sobre a Amazônia e os territórios tradicionais, frequentemente sem a participação efetiva das populações locais nas decisões. Para o grupo, a inclusão de rios no programa de desestatização pode abrir espaço para restrições de acesso, cobrança de tarifas e aumento da pressão sobre áreas sensíveis do ponto de vista ambiental.

A empresa informou que acompanha a situação e prioriza a segurança de seus funcionários e das comunidades envolvidas. Já autoridades locais e federais monitoram o protesto e avaliam alternativas para a retomada das atividades, ao mesmo tempo em que buscam uma solução negociada para o impasse. Até o momento, não há confirmação de uso de força para desocupação do espaço.

O episódio reacende o debate sobre o modelo de desenvolvimento adotado na Amazônia e o papel das comunidades indígenas nas decisões que afetam seus territórios. Especialistas apontam que conflitos como esse tendem a se intensificar diante de projetos de infraestrutura e privatização que não incorporam mecanismos efetivos de consulta e participação social.

Enquanto a ocupação prossegue, os indígenas afirmam que só deixarão o local após um posicionamento claro do governo federal sobre suas reivindicações. O caso mantém Santarém no centro das atenções nacionais e evidencia os desafios de conciliar interesses econômicos, preservação ambiental e direitos dos povos originários na região amazônica.

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