Um estudo elaborado pelo Centro de Liderança Pública acendeu um alerta sobre os possíveis efeitos do fim da escala de trabalho 6x1 no mercado formal brasileiro. De acordo com a análise, a mudança no regime de jornada, que hoje permite seis dias consecutivos de trabalho seguidos por um de descanso, pode resultar na eliminação de mais de 600 mil empregos com carteira assinada em todo o país.
Confira detalhes no vídeo:
A pesquisa avalia que a alteração teria impactos relevantes sobre a dinâmica de produção e custos das empresas, especialmente em setores que dependem de mão de obra intensiva e de funcionamento contínuo. A redução da disponibilidade de dias trabalhados, sem uma compensação proporcional de produtividade, poderia pressionar as margens de empresas e levar à diminuição de postos formais como forma de ajuste.
Entre os segmentos mais afetados, o comércio aparece como um dos mais vulneráveis. O setor, que emprega milhões de trabalhadores e opera majoritariamente em horários estendidos, teria dificuldades para reorganizar escalas sem elevar significativamente os custos. Pequenos e médios negócios, que já enfrentam desafios relacionados a crédito, carga tributária e concorrência, seriam os mais expostos aos efeitos da mudança.
A agropecuária também figura entre as áreas com maior risco. A atividade rural possui ciclos produtivos rígidos, muitas vezes condicionados ao clima e a janelas específicas de tempo para plantio, colheita e manejo. Nesse contexto, a limitação de dias trabalhados poderia reduzir a eficiência das operações, afetando a produção e, consequentemente, a geração de empregos formais no campo.
Outro setor citado pelo estudo é o da construção civil. Obras dependem de cronogramas contínuos e de equipes trabalhando de forma coordenada para evitar atrasos e custos adicionais. A mudança na escala poderia resultar em prazos mais longos, aumento de despesas e menor número de contratações, principalmente em um setor que já é sensível às oscilações da economia.
Além do impacto direto sobre o emprego, o levantamento aponta para uma possível queda na produção nacional. Com menos horas efetivamente trabalhadas ao longo da semana, a capacidade produtiva de diversos segmentos poderia ser reduzida, afetando o crescimento econômico e a arrecadação de impostos. Esse efeito em cadeia teria reflexos não apenas sobre empresas e trabalhadores, mas também sobre estados e municípios.
O debate sobre o fim da escala 6x1 tem ganhado espaço por envolver questões relacionadas à qualidade de vida, saúde mental e equilíbrio entre trabalho e vida pessoal. No entanto, o estudo destaca a necessidade de que qualquer mudança seja acompanhada de políticas que mitiguem impactos negativos, como incentivos à produtividade, investimentos em tecnologia e medidas de apoio às empresas mais afetadas.
Para os autores da análise, a discussão deve considerar as diferenças entre setores e regiões do país. A adoção de um modelo único, sem levar em conta essas especificidades, pode gerar efeitos adversos sobre o emprego formal e a atividade econômica, ampliando desafios já existentes no mercado de trabalho brasileiro.
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