A confirmação da morte de Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como “El Mencho”, desencadeou uma escalada de violência que colocou o México diante de uma de suas mais graves crises de segurança dos últimos anos. Em menos de 24 horas, ações de retaliação atribuídas ao Cartel Jalisco Nova Geração resultaram em ao menos 57 mortes, evidenciando o poder de reação da organização criminosa mesmo após a perda de seu principal líder.
Segundo o secretário de Segurança do país, Omar García Harfuch, os ataques tiveram como alvo direto o Estado mexicano. Entre os mortos estão 25 integrantes da Guarda Nacional, um agente do sistema penitenciário e um funcionário da Procuradoria-Geral. As autoridades informaram ainda que cerca de 30 das vítimas fatais seriam membros do próprio cartel, mortos durante confrontos com forças federais mobilizadas para conter a ofensiva criminosa.
A resposta violenta se espalhou rapidamente por diferentes regiões, com registros de bloqueios em rodovias, veículos incendiados, ataques a instalações policiais e tiroteios em áreas urbanas. Em diversas cidades, o clima foi de pânico, com moradores evitando sair de casa e serviços essenciais funcionando de forma precária. Governos estaduais relataram que a ofensiva foi coordenada e planejada, indicando uma tentativa clara do CJNG de demonstrar força e capacidade de enfrentamento após a morte de seu chefe máximo.
El Mencho era apontado como o principal responsável pela consolidação do CJNG como uma das organizações criminosas mais poderosas e violentas do continente. Sob seu comando, o cartel expandiu territórios, diversificou atividades ilícitas e adotou uma postura de confronto aberto com o Estado, tornando-se protagonista de alguns dos episódios mais sangrentos da história recente do México. Sua morte, embora celebrada como um golpe relevante contra o crime organizado, trouxe consigo o risco imediato de instabilidade.
Especialistas em segurança já previam que a queda do líder poderia provocar uma reação intensa. O cenário atual reforça esse diagnóstico e levanta preocupações sobre os próximos passos do cartel. Além da retaliação imediata, há o temor de disputas internas pela sucessão e de conflitos com grupos rivais interessados em ocupar áreas estratégicas antes controladas pelo CJNG.
Diante da crise, o governo federal reforçou a presença da Guarda Nacional e das Forças Armadas em regiões consideradas prioritárias. Operações de inteligência foram ampliadas com o objetivo de identificar e neutralizar lideranças remanescentes, além de prevenir novos ataques. Mesmo assim, autoridades admitem que os efeitos da morte de El Mencho não se restringem ao curto prazo e podem gerar um período prolongado de tensão.
A população acompanha os acontecimentos com apreensão. Em várias localidades, escolas suspenderam atividades, o comércio reduziu o horário de funcionamento e o transporte público foi afetado. O sentimento predominante é de insegurança, enquanto o governo tenta reafirmar o controle da situação e evitar que a violência se intensifique.
O episódio volta a expor os desafios enfrentados pelo México no combate ao crime organizado. A reação do CJNG demonstra que a eliminação de lideranças, embora estratégica, não garante a imediata pacificação. O desenrolar dessa crise deve influenciar diretamente as políticas de segurança e o equilíbrio de forças entre o Estado e os cartéis nos próximos meses.
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