Uma audiência pública na Assembleia Legislativa de São Paulo terminou em tumulto e troca de acusações entre parlamentares durante a análise de um projeto de lei encaminhado pelo governo de Tarcísio de Freitas. A proposta em discussão altera normas da carreira dos professores da rede estadual e tem gerado resistência de sindicatos e de deputados da oposição, que apontam possíveis prejuízos aos profissionais da educação.
A reunião foi presidida pelo líder do governo na Casa, Gilmaci Santos, responsável por conduzir os trabalhos. O clima de tensão se instaurou quando o parlamentar decidiu interromper a fala de um representante sindical, alegando que o tempo destinado à exposição havia se esgotado. A atitude provocou reação imediata no plenário, ocupado por professores, lideranças sindicais e deputados contrários ao projeto.
Em meio às manifestações, o deputado Carlos Giannazi dirigiu-se ao microfone para apresentar um pedido de ordem, defendendo que o convidado tivesse o direito de concluir sua intervenção. O gesto foi interpretado pelo presidente da audiência como uma tentativa de desorganizar a sessão. Em resposta, Gilmaci advertiu que encerraria a audiência caso a situação continuasse, o que elevou o tom do confronto.
A discussão se intensificou quando Giannazi criticou a forma como a audiência estava sendo conduzida e fez referência à ligação de Gilmaci com a Igreja Universal do Reino de Deus. Para o parlamentar do PSol, a condução dos trabalhos desrespeitava o regimento interno da Alesp e tratava de forma inadequada os convidados. A menção à instituição religiosa provocou irritação ainda maior no líder do governo, que reagiu de maneira exaltada.
Diante do aumento da tensão, Gilmaci decidiu encerrar a audiência pública de forma abrupta. O anúncio foi feito em meio a gritos, interrupções e acusações pessoais trocadas entre os deputados, gerando surpresa e indignação entre os presentes. Com a suspensão da sessão, representantes da categoria docente que aguardavam para se manifestar ficaram sem espaço formal para expor suas críticas e propostas.
Após o encerramento, o secretário-executivo da Educação, Vinícius Neiva, que representava a pasta na audiência, deixou o auditório acompanhado do deputado do Republicanos. A saída conjunta foi interpretada por parlamentares da oposição e por sindicalistas como um sinal de concordância com a decisão de interromper o debate, o que ampliou a insatisfação entre os críticos do projeto.
Mesmo com a reunião oficialmente suspensa, deputados oposicionistas e integrantes de movimentos ligados à educação permaneceram no local e seguiram discutindo o conteúdo da proposta de maneira informal. Eles criticaram duramente a condução da audiência e defenderam que mudanças na carreira docente exigem amplo diálogo com a categoria e a sociedade antes de avançarem no processo legislativo.
O episódio evidenciou o alto grau de polarização em torno da proposta do governo estadual e expôs as dificuldades de diálogo entre base governista e oposição na Assembleia Legislativa. Além das divergências sobre o mérito do projeto, a forma como a audiência foi encerrada passou a ser alvo de críticas, levantando questionamentos sobre o espaço concedido à participação social no Parlamento.
A confusão também reforçou o clima de tensão política na Alesp e deve repercutir nos próximos debates sobre o projeto. Para sindicatos e deputados da oposição, o episódio simboliza a necessidade de respeito aos ritos legislativos e à escuta dos profissionais da educação. Já aliados do governo sustentam que a presidência da audiência agiu para preservar a ordem e garantir o andamento dos trabalhos legislativos.
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