DELEGADO QUE PRENDEU ADVOGADA CHORA AO SER TRANSFERIDO





A Polícia Civil de Goiás confirmou a transferência do delegado Christian Zilmon após a repercussão de um episódio envolvendo a prisão de uma advogada no município de Cocalzinho de Goiás. A decisão foi oficializada depois de forte pressão institucional e debates públicos sobre a conduta adotada no caso, que acabou se tornando um marco para mudanças internas na corporação.


O afastamento do delegado ocorreu após a prisão da advogada Áricka Cunha, considerada polêmica por entidades da advocacia. A atuação policial gerou reação imediata da Ordem dos Advogados do Brasil Seção Goiás, que questionou a legalidade e a proporcionalidade das medidas adotadas. A mobilização da entidade intensificou o debate sobre limites de atuação da autoridade policial, especialmente em situações que envolvem profissionais no exercício de suas funções.

Como desdobramento do caso, a Polícia Civil promoveu alterações em seus procedimentos internos. A publicação da Portaria n.º 323/2026 estabeleceu novas diretrizes para a atuação de delegados, proibindo expressamente que realizem prisões ou conduzam inquéritos em situações em que exista envolvimento pessoal ou emocional com as partes. A norma busca reforçar critérios de imparcialidade, prevenir conflitos de interesse e reduzir riscos de excessos no exercício da função.

A transferência de Christian Zilmon foi determinada sem concessão de prazo de trânsito, o que significa que o delegado deve assumir imediatamente suas novas atribuições. Ele foi deslocado para o município de Águas Lindas de Goiás, na região do Entorno do Distrito Federal, área considerada estratégica e com alta demanda por serviços de segurança pública. A medida administrativa foi interpretada por observadores como um afastamento funcional, embora não tenha sido anunciada como punição disciplinar formal.

O presidente da OAB-GO, Rafael Lara, avaliou a mudança normativa como um avanço institucional relevante. Para a entidade, a nova portaria representa um passo importante no enfrentamento de práticas consideradas abusivas e no fortalecimento das garantias legais, tanto para advogados quanto para cidadãos em geral. A OAB sustenta que o episódio revelou fragilidades nos mecanismos de controle e a necessidade de regras mais claras para a atuação policial.

Dentro da Polícia Civil, a decisão também provocou repercussão. Fontes internas apontam que a nova regulamentação deve exigir maior cautela dos delegados em situações sensíveis, ampliando a responsabilidade das chefias na redistribuição de procedimentos quando houver risco de comprometimento da imparcialidade. A expectativa é de que a medida contribua para reduzir questionamentos jurídicos e institucionais sobre atos praticados durante investigações.

O caso envolvendo a prisão da advogada e a transferência do delegado expôs tensões históricas entre forças policiais e a advocacia, além de reacender o debate sobre abuso de autoridade e garantias individuais. Ao mesmo tempo, a resposta administrativa sinaliza uma tentativa da corporação de ajustar protocolos e preservar a credibilidade institucional diante da pressão pública.

Com a mudança, a Polícia Civil de Goiás busca demonstrar alinhamento a princípios de legalidade, transparência e respeito às prerrogativas profissionais. O episódio permanece como referência recente de como um caso local pode desencadear alterações estruturais, influenciando práticas internas e redefinindo parâmetros de atuação no âmbito da segurança pública estadual.

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