DEPUTADA DE ESQUERDA BATE BOCA COM VEREADOR E O DENUNCIA POR MISOGINIA APÓS SER CHAMADA DE “DESCONTROLADA”







A deputada estadual Andréa Werner, do PSB de São Paulo, formalizou um boletim de ocorrência e apresentou uma queixa-crime contra o vereador Kléber Ribeiro, filiado ao PL e integrante da Câmara Municipal de Guarulhos. A parlamentar acusa o vereador de calúnia, injúria e difamação, com agravante de conteúdo misógino, após um episódio ocorrido durante uma reunião com mães atípicas.


Segundo o relato da deputada, o encontro tinha como objetivo ouvir demandas e relatos de famílias que convivem com a realidade do cuidado de crianças com deficiência ou necessidades específicas. Durante a reunião, no entanto, o clima teria sido alterado após intervenções do vereador, que, de acordo com a denúncia, fez comentários ofensivos direcionados à parlamentar. As declarações teriam ultrapassado o campo do debate político, atingindo sua honra pessoal e profissional.

Andréa Werner afirma que as ofensas tiveram caráter misógino, reforçando estereótipos e desqualificando sua atuação como mulher na política. Para ela, o episódio não se limita a um desentendimento pontual, mas reflete um padrão de comportamento que precisa ser enfrentado institucionalmente. Por esse motivo, além da queixa-crime, a deputada informou que acionou a Justiça com base na legislação que trata da violência de gênero, buscando responsabilização civil e criminal.

A parlamentar destacou que decidiu tornar o caso público como forma de dar visibilidade a situações semelhantes vividas por outras mulheres, especialmente aquelas que ocupam espaços de poder. Em sua avaliação, ataques dessa natureza não atingem apenas a pessoa diretamente envolvida, mas também afetam o debate democrático e desencorajam a participação feminina na política. Werner tem atuação reconhecida na defesa de direitos de pessoas com deficiência e no apoio a famílias atípicas, o que tornou o episódio ainda mais sensível, dado o contexto do encontro.

O caso gerou repercussão entre movimentos de mulheres, entidades ligadas à causa da inclusão e parlamentares de diferentes espectros políticos. Para esses grupos, a denúncia reacende o debate sobre a violência política de gênero, prática que se manifesta por meio de insultos, tentativas de deslegitimação e ataques pessoais contra mulheres que exercem mandatos eletivos. Eles defendem que medidas legais sejam adotadas para coibir esse tipo de conduta e garantir um ambiente político mais respeitoso.

Até o momento, o vereador Kléber Ribeiro não se pronunciou oficialmente sobre a queixa-crime. Nos bastidores da política local, o episódio é visto como mais um capítulo de tensões entre representantes de diferentes partidos e visões ideológicas, mas com um agravante que extrapola divergências partidárias. A acusação de misoginia coloca o caso em um patamar mais amplo, envolvendo princípios de igualdade e respeito.

A iniciativa de Andréa Werner de recorrer às vias legais reforça uma tendência de maior enfrentamento institucional contra ofensas e ataques no ambiente político. Especialistas avaliam que ações desse tipo podem contribuir para criar precedentes e estimular outras vítimas a denunciar situações semelhantes. O desfecho do caso deverá ser acompanhado de perto, tanto no âmbito judicial quanto no cenário político, onde o debate sobre violência de gênero segue ganhando espaço.

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