O publicitário e estrategista político João Santana, conhecido por ter comandado campanhas vitoriosas do Partido dos Trabalhadores, voltou ao debate público ao criticar a atual condução da comunicação do governo federal. Em publicação nas redes sociais, ele direcionou suas observações ao ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, apontando falhas estratégicas, embora tenha reconhecido a competência técnica do titular da pasta.
João Santana foi o responsável pela coordenação das campanhas presidenciais de Luiz Inácio Lula da Silva em 2006 e de Dilma Rousseff em 2010, períodos marcados por forte conexão entre discurso político, narrativa eleitoral e comunicação institucional. Ao comparar aquele contexto com o cenário atual, o marqueteiro avaliou que o problema enfrentado pelo governo não se resume à estrutura ou aos profissionais envolvidos, mas à forma como política e comunicação vêm sendo articuladas.
Segundo Santana, existe um descompasso entre a mensagem que o governo pretende transmitir e a maneira como essa mensagem chega à sociedade. Para ele, o erro não estaria na personalização da estratégia em torno do ministro, mas em uma falta de sintonia mais ampla sobre o papel da comunicação política. O marqueteiro argumenta que comunicação não pode ser tratada apenas como divulgação de ações administrativas, tampouco a política pode ser reduzida a slogans ou respostas reativas ao noticiário.
A crítica ocorre em um momento em que o governo enfrenta dificuldades para consolidar sua narrativa junto à opinião pública, mesmo diante de iniciativas e programas considerados estratégicos. Avaliações internas e externas apontam que parte das ações do Executivo não tem conseguido repercussão positiva proporcional ao esforço político e administrativo empregado. Nesse contexto, as observações de João Santana ganham peso por virem de alguém que já esteve no centro das decisões comunicacionais do partido no poder.
Apesar do tom crítico, o ex-marqueteiro fez questão de ressaltar que Sidônio Palmeira é um profissional qualificado e experiente. A divergência, segundo ele, é de abordagem e compreensão do momento político. Santana defende que comunicação governamental exige leitura constante do ambiente social, das expectativas do eleitorado e das disputas simbólicas presentes no debate público, especialmente em um cenário marcado pela força das redes sociais e pela polarização política.
A manifestação também reacende discussões internas no campo governista sobre o papel da Secom e os limites entre comunicação institucional e comunicação política. Enquanto alguns defendem uma postura mais técnica e informativa, outros avaliam que o governo precisa ser mais assertivo na defesa de suas pautas e na construção de narrativas que dialoguem diretamente com a população.
A fala de João Santana evidencia ainda uma tensão recorrente entre antigos formuladores das estratégias do PT e a atual equipe responsável pela imagem do governo. Para analistas, esse tipo de crítica pública revela não apenas divergências pessoais, mas um debate mais profundo sobre como o governo deve se posicionar em um ambiente midiático fragmentado e altamente competitivo.
Ao classificar o problema como uma questão de “sintonização”, Santana sugere que o desafio central está em alinhar política, discurso e forma de comunicação. A avaliação indica que, sem esse ajuste, mesmo ações relevantes podem perder impacto ou serem mal interpretadas. O episódio reforça que, no atual cenário político, comunicação deixou de ser um elemento acessório e passou a ocupar um papel central na sustentação e na viabilidade de qualquer projeto de governo.
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