VÍDEO: BARCO DE ATIVISTAS BATE DE PROPÓSITO EM NAVIO PESQUEIRO





Um episódio envolvendo ativistas ambientais e a indústria pesqueira voltou a colocar a Antártica no centro das atenções nesta semana, após a colisão entre duas embarcações em águas do Oceano Austral. O incidente ocorreu na terça-feira e envolveu um navio dedicado à pesca de krill e uma embarcação utilizada por um grupo ambientalista que atua contra a exploração do crustáceo na região polar.

De acordo com a Aker QRILL Company, responsável pelo arrastão Antarctic Sea, o navio teria sido atingido de forma intencional pelo Bandero, embarcação de cerca de 65 metros operada pela Fundação Capitão Paul Watson. Segundo a empresa, o choque ocorreu na parte traseira do navio, exatamente na área onde se encontra o tanque de combustível diesel, o que elevou o nível de alerta entre os tripulantes.

Apesar da gravidade potencial do local atingido, a companhia informou que os danos estruturais foram leves e não colocaram em risco imediato a embarcação nem a segurança da tripulação. Ainda assim, imagens divulgadas posteriormente mostram o momento da colisão e evidenciam a proximidade entre os navios em uma região marcada por gelo, baixa visibilidade e condições climáticas severas.

O diretor-executivo da empresa norueguesa destacou que o episódio poderia ter tido consequências muito mais sérias. Caso as chapas de aço do casco tivessem se rompido, haveria a possibilidade de vazamento de combustível em uma das áreas mais sensíveis do planeta do ponto de vista ambiental. Para ele, o fato de o impacto não ter provocado um acidente maior foi resultado de circunstâncias favoráveis e não elimina a gravidade da situação.

A Aker QRILL também relatou que, antes da colisão, integrantes do grupo ambientalista teriam se aproximado de outra embarcação da empresa, o Antarctic Endurance, em uma tentativa de interferir nas operações de pesca. Segundo a companhia, as redes não chegaram a ser danificadas, mas o episódio aumentou a tensão entre as equipes e reforçou preocupações com a segurança da navegação na região.

Em resposta, a Fundação Capitão Paul Watson contestou a versão apresentada pela empresa. A organização afirmou que o choque entre as embarcações foi acidental e reiterou que suas ações seguem princípios de legalidade, responsabilidade e não violência. O grupo sustenta que suas missões têm como objetivo chamar atenção para os impactos ambientais da pesca industrial de krill em áreas consideradas vitais para o equilíbrio dos ecossistemas marinhos.

Fundada em 2022 pelo ativista canadense Paul Watson, a entidade atua para impedir a pesca de krill em regiões utilizadas como fonte de alimentação por baleias, focas e pinguins. O crustáceo é um elemento central da cadeia alimentar antártica, e sua exploração em larga escala é alvo de críticas recorrentes de ambientalistas, que alertam para riscos à fauna local.

O incidente reacende discussões sobre os limites entre protesto ambiental e segurança marítima em áreas remotas. Enquanto empresas defendem a legalidade de suas operações, organizações ambientalistas argumentam que a exploração do krill ameaça um dos ecossistemas mais frágeis do planeta. O confronto entre essas posições evidencia os desafios de conciliar interesses econômicos, preservação ambiental e segurança em uma das regiões mais extremas do mundo.

VEJA TAMBÉM:

Clique aqui para ter acesso à Verdade sobre o que aconteceu a Jair Bolsonaro.

Comentários