PM USA GÁS PARA EXPULSAR EXTREMISTAS DA USP





O DCE Livre da USP denunciou, na madrugada deste domingo, uma operação conduzida pela Polícia Militar para desocupar o prédio da reitoria da Universidade de São Paulo. De acordo com a entidade estudantil, a ação ocorreu enquanto estudantes dormiam no local e resultou na detenção de quatro manifestantes que participavam do movimento iniciado na última quinta-feira.


Segundo o relato divulgado pelo DCE, a operação teve início por volta das 4h15 e foi marcada por um cenário de tensão. Estudantes afirmam que policiais avançaram sobre o prédio utilizando bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e cassetetes para dispersar os ocupantes. A ocupação da reitoria vinha sendo mantida como forma de protesto e reivindicação por pautas consideradas prioritárias pelo movimento estudantil, embora os detalhes das demandas não tenham sido totalmente divulgados na nota inicial.

Ainda conforme a entidade, a desocupação ocorreu de forma repentina, sem aviso prévio, o que teria dificultado qualquer tentativa de negociação ou retirada voluntária dos estudantes. Os manifestantes alegam que muitos estavam dormindo no momento da ação e foram surpreendidos pelo barulho das explosões e pela presença policial dentro do prédio. O DCE classificou a operação como violenta e desproporcional, afirmando que houve agressões físicas e intimidação.

Os quatro estudantes detidos foram encaminhados para uma unidade policial, e a entidade estuda medidas jurídicas para acompanhar o caso. Representantes do movimento afirmam que o episódio reforça um histórico de repressão a manifestações estudantis e que a resposta das autoridades contrasta com o caráter político e pacífico do protesto, que vinha ocorrendo havia vários dias dentro do campus.

A ocupação da reitoria havia sido organizada como forma de pressionar a administração universitária a dialogar sobre reivindicações relacionadas à gestão, às condições de permanência estudantil e à política institucional da universidade. Para os estudantes, a presença no prédio era uma estratégia legítima de mobilização, utilizada historicamente em universidades públicas brasileiras como instrumento de pressão política.

Após a desocupação, a movimentação no campus foi intensificada, com a presença de viaturas e agentes de segurança ao redor da reitoria. Estudantes e apoiadores passaram a se concentrar em áreas próximas para prestar solidariedade aos detidos e discutir os próximos passos do movimento. O DCE anunciou que pretende convocar assembleias e atos públicos para denunciar a operação e cobrar esclarecimentos da reitoria e do governo estadual.

Até o início da manhã, a administração da universidade não havia se pronunciado oficialmente sobre a ação, tampouco detalhado se houve solicitação formal para a entrada da Polícia Militar no prédio. A ausência de informações aumentou a indignação entre os manifestantes, que cobram transparência e responsabilização.

O episódio reacende o debate sobre o papel da polícia em conflitos dentro de universidades públicas e sobre os limites da atuação do Estado diante de protestos estudantis. Para o movimento, a desocupação forçada não encerra a mobilização, mas tende a fortalecer a organização e ampliar a visibilidade das reivindicações. O clima no campus segue de apreensão, com expectativa de novos desdobramentos políticos e jurídicos nos próximos dias.

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