Os advogados do Partido Liberal (PL) protocolaram no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um pedido de investigação sobre supostas irregularidades envolvendo anúncios impulsionados nas redes sociais contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontado como pré-candidato à Presidência da República. O documento foi entregue ao presidente da Corte, ministro Nunes Marques, e reúne informações que, segundo a defesa, indicariam movimentações consideradas atípicas na plataforma Meta.
Confira detalhes no vídeo:
O pedido foi apresentado na última sexta-feira (17/7) e voltou ao centro das atenções nesta segunda-feira (20/7), quando representantes jurídicos do partido concederam entrevista após uma reunião com o presidente do TSE. Na ocasião, os advogados detalharam os elementos que motivaram a solicitação de abertura de uma apuração sobre os anúncios identificados durante o monitoramento da campanha.
De acordo com a equipe jurídica, a situação foi descoberta de forma inesperada durante um acompanhamento rotineiro dos anúncios patrocinados disponíveis na plataforma Meta. Segundo os advogados, a campanha observou que perfis com número reduzido de seguidores apareciam como responsáveis por investimentos elevados em publicidade direcionada contra Flávio Bolsonaro.
A principal suspeita levantada diz respeito ao contraste entre o tamanho das contas e os valores empregados nas campanhas publicitárias. Conforme relatado pelos representantes do partido, alguns perfis possuíam cerca de 30 ou 40 seguidores e, mesmo assim, apareciam vinculados a anúncios que somavam aproximadamente R$ 200 mil em impulsionamento.
Na avaliação da defesa, esse padrão chamou a atenção por fugir do comportamento normalmente observado em campanhas publicitárias realizadas nas redes sociais. Segundo os advogados, contas recém-criadas e com alcance limitado dificilmente teriam capacidade financeira ou justificativa para investir quantias tão expressivas em anúncios políticos.
Durante a coletiva de imprensa, a advogada Maria Claudia Bucchianeri afirmou que o caso apresenta características incomuns e classificou a estrutura identificada como inédita em sua experiência na área eleitoral. Segundo ela, os indícios encontrados apontariam para uma organização capaz de criar perfis utilizando dados de terceiros e diferentes formas de pagamento para financiar campanhas de impulsionamento.
Outro aspecto destacado pela equipe jurídica envolve a diversidade das moedas utilizadas nos pagamentos dos anúncios. Segundo a advogada, foram identificadas transações realizadas não apenas em reais, mas também em dólares e em pesos colombianos. A origem dos pagamentos efetuados na moeda colombiana, no entanto, ainda não teria sido esclarecida pela equipe responsável pelo levantamento.
Os advogados sustentam que essas informações justificam a abertura de uma investigação para verificar a origem dos recursos empregados nas campanhas de publicidade e identificar os responsáveis pelos perfis que teriam realizado os impulsionamentos. O objetivo do pedido é permitir que as autoridades eleitorais analisem se houve eventual descumprimento da legislação aplicável às campanhas políticas e à propaganda eleitoral na internet.
A apresentação do documento ao Tribunal Superior Eleitoral ocorre em um momento de intensificação das discussões sobre o uso das redes sociais em disputas políticas. O financiamento de anúncios, a identificação de anunciantes e os mecanismos de transparência das plataformas digitais têm ocupado espaço crescente nos debates sobre integridade eleitoral e combate à desinformação.
Com o protocolo do pedido, caberá ao Tribunal Superior Eleitoral analisar os elementos apresentados pela defesa do Partido Liberal e decidir sobre as providências que poderão ser adotadas em relação ao caso. Enquanto isso, a denúncia continua repercutindo no meio político e reforça o debate sobre a fiscalização da publicidade digital durante o período pré-eleitoral e sobre os desafios para identificar a origem de campanhas impulsionadas nas plataformas online.
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