Um comerciante da Vila Celeste, na cidade de São Paulo, chamou a atenção nas redes sociais após divulgar um vídeo em que protesta contra a política de descontos da plataforma de delivery Keeta. Como forma de demonstrar sua insatisfação, ele aparece quebrando a placa da empresa instalada em sua lanchonete e afirma que os valores recebidos pelos pedidos realizados por meio do aplicativo não seriam suficientes para manter a operação do estabelecimento.
Durante a gravação, o proprietário apresenta o comprovante de uma venda e explica que o montante repassado pela plataforma estaria muito abaixo do valor pago pelo consumidor. Segundo ele, essa diferença compromete a viabilidade financeira do negócio e dificulta o pagamento das despesas necessárias para o funcionamento da lanchonete.
Como exemplo, o comerciante afirma que um combo vendido por R$ 142 por meio do aplicativo resultou em um repasse líquido de R$ 85,48 ao restaurante. Na avaliação dele, esse valor não cobre os custos de produção dos alimentos nem outras despesas fixas, como aluguel, contas de consumo, folha de pagamento e demais gastos operacionais.
O empresário também questiona a forma como os descontos promocionais são aplicados nas vendas realizadas pela plataforma. De acordo com seu relato, inicialmente foi informado de que os cupons oferecidos aos clientes seriam custeados pela própria empresa. No entanto, ele afirma que recebeu posteriormente a informação de que parte desses descontos acabaria sendo descontada dos valores destinados ao restaurante.
Ainda segundo o comerciante, uma das alternativas sugeridas pela plataforma seria elevar os preços dos produtos para compensar as promoções concedidas aos consumidores. Mesmo assim, ele sustenta que essa estratégia não resolveria o problema, já que os descontos continuariam reduzindo o valor final recebido pelo estabelecimento.
O vídeo rapidamente alcançou grande repercussão na internet, gerando milhares de visualizações e comentários. O caso estimulou debates entre donos de restaurantes, consumidores e usuários das redes sociais sobre o modelo de funcionamento dos aplicativos de entrega, especialmente em relação às taxas cobradas e à distribuição dos custos das promoções.
A Keeta pertence ao grupo chinês Meituan e iniciou suas atividades no mercado brasileiro em outubro de 2025, por meio de um projeto-piloto na Baixada Santista. Dois meses depois, a empresa expandiu suas operações para a capital paulista e cidades da região metropolitana, ampliando sua atuação no segmento de delivery de alimentos.
Após a ampla repercussão do vídeo, a plataforma divulgou um posicionamento sobre as declarações do comerciante. A empresa afirmou que seu objetivo é construir um ambiente competitivo, equilibrado e sustentável para todos os participantes do setor, incluindo restaurantes parceiros, consumidores e entregadores.
A Keeta também contestou a acusação de que os cupons promocionais seriam descontados dos estabelecimentos cadastrados. Segundo a companhia, os descontos oferecidos aos clientes são integralmente financiados pela própria plataforma e fazem parte de uma estratégia para incentivar novos usuários a conhecerem o serviço durante a fase de expansão da marca no Brasil.
A polêmica reacendeu as discussões sobre a relação entre plataformas digitais e restaurantes parceiros. Temas como rentabilidade, transparência nos repasses financeiros, políticas de descontos e sustentabilidade dos pequenos negócios voltaram ao centro do debate, evidenciando os desafios enfrentados pelos empreendedores que dependem dos aplicativos de entrega para ampliar suas vendas em um mercado cada vez mais competitivo.
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