Uma ocorrência envolvendo agentes das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) terminou com a morte de um homem procurado pela Justiça em São Bernardo do Campo, na região metropolitana de São Paulo. O caso aconteceu no fim da tarde desta quarta-feira (5/8) e passou a ser alvo de questionamentos após imagens de uma câmera de monitoramento apresentarem uma sequência de acontecimentos que aparenta divergir da versão registrada pelos policiais.
O homem morto foi identificado como Adriano Fernandes dos Santos, de 37 anos. Ele estava sozinho em um veículo Astra de cor prata quando foi localizado e abordado por policiais. Segundo os registros da ocorrência, duas viaturas participaram da ação, com oito agentes envolvidos.
A abordagem teria ocorrido por volta das 17h25. Apesar disso, a comunicação formal do caso à Polícia Civil só teria sido realizada às 21h54. O intervalo de mais de quatro horas entre a abordagem e o registro da ocorrência é um dos pontos que deverão ser considerados durante a investigação.
Os policiais relataram que Adriano teria ignorado uma ordem de parada. Ainda segundo os agentes, o motorista teria utilizado o veículo para avançar sobre a calçada enquanto tentava fugir da abordagem. Depois disso, teria abandonado o carro e apontado uma arma contra os policiais.
Entretanto, as imagens obtidas durante a apuração apresentam uma sequência diferente. No vídeo, o Astra aparece sendo acompanhado por uma viatura e realiza uma manobra em velocidade aparentemente baixa. O veículo então se posiciona próximo à calçada, dando a impressão de que poderia estar parando.
Quando a porta do automóvel é aberta, um dos policiais efetua um disparo. Pouco depois, outros dois agentes saem da viatura. Um deles carrega uma espingarda calibre 12 e realiza novos disparos.
A gravação também mostra parte da movimentação dos policiais depois que Adriano cai. Um dos agentes se aproxima do homem e chega a se agachar perto dele. Em seguida, o policial muda de posição e volta a se abaixar em uma área parcialmente fora do enquadramento da câmera.
Os agentes envolvidos afirmaram que Adriano ainda teria tentado alcançar a arma que carregava mesmo depois de estar no chão. Segundo o relato policial, essa movimentação teria motivado um novo disparo. A versão, entretanto, deverá ser confrontada com os demais elementos reunidos durante a investigação.
Conforme os documentos relacionados à ocorrência, Adriano carregava uma pistola calibre 9 milímetros. A arma teria sido encontrada em condições precárias de conservação e acompanhada por 12 munições intactas. Os registros indicam que nenhum disparo teria sido realizado com essa arma durante a abordagem.
Do outro lado, os policiais estavam equipados com armamentos de diferentes calibres. Entre os equipamentos utilizados pela equipe estavam fuzis e uma espingarda calibre 12, além de pistolas. A quantidade e o tipo de armamento empregado pelos agentes também fazem parte dos elementos que podem ajudar a esclarecer a dinâmica da ocorrência.
Outro aspecto que chamou atenção na investigação foi a utilização de câmeras corporais. Os documentos obtidos sobre o caso indicam que nenhum dos oito policiais relacionados à ocorrência utilizava esse equipamento durante a abordagem.
A Secretaria da Segurança Pública afirmou que as imagens das câmeras corporais dos policiais serão analisadas. A informação, porém, contrasta com os registros que apontam a ausência dos equipamentos entre os agentes envolvidos diretamente na ocorrência.
Agora, a investigação deverá reunir as imagens disponíveis, depoimentos, perícias e demais registros produzidos no local. A análise desses elementos será necessária para determinar a sequência exata dos acontecimentos e verificar se a atuação policial correspondeu aos procedimentos previstos.
O caso também deverá esclarecer por que a ocorrência foi comunicada à Polícia Civil somente horas depois da abordagem. A combinação entre o intervalo no registro, a ausência de câmeras corporais e as diferenças entre o relato dos policiais e as imagens de monitoramento tornou a ocorrência objeto de maior atenção.
Até que a investigação seja concluída, as circunstâncias da morte de Adriano permanecem sob apuração. A definição sobre o que ocorreu deverá depender da análise técnica das provas e da confrontação entre as diferentes versões apresentadas.
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