VA Federação PSOL-Rede protocolou na Câmara dos Deputados um pedido de cassação do mandato do deputado federal Mário Frias (PL-SP), após a Polícia Federal deflagrar a Operação Make Up, que investiga suspeitas de irregularidades envolvendo emendas parlamentares e empresas ligadas à produção do filme “Dark Horse”, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A representação foi encaminhada ao Conselho de Ética e pede a abertura de processo disciplinar por suposta quebra de decoro parlamentar.
Confira detalhes no vídeo:
A operação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, e cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal. Mário Frias esteve entre os alvos das buscas. Segundo as autoridades, a investigação apura possível desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares que teriam sido destinados ao Instituto Conhecer Brasil e à Academia Nacional de Cultura, entidades relacionadas à produtora Karina Gama. Parte desses recursos teria sido posteriormente direcionada para outras finalidades, entre elas a produção de “Dark Horse”.
O caso envolve duas frentes que, embora relacionadas ao mesmo filme, são investigadas separadamente. Uma delas trata das suspeitas envolvendo emendas parlamentares e foi alvo da Operação Make Up. A outra investiga o financiamento privado da produção e possíveis irregularidades relacionadas a recursos atribuídos ao empresário Daniel Vorcaro. Segundo a Agência Brasil, essa segunda investigação é conduzida em outro inquérito no Supremo Tribunal Federal.
A representação apresentada pelo PSOL e pela Rede cita aproximadamente R$ 2 milhões em emendas destinadas por Frias ao Instituto Conhecer Brasil. O documento também menciona transferências de R$ 645,4 mil realizadas pelo deputado à produtora em um período inferior a dois meses. Para a federação, as movimentações justificariam a abertura de um procedimento no Conselho de Ética para apurar eventual quebra de decoro parlamentar.
A investigação da Polícia Federal, entretanto, ainda está em andamento. As suspeitas não representam, por si só, uma conclusão sobre responsabilidade criminal ou política do deputado. A PF apura possíveis crimes como peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e irregularidades em contratações. Os investigadores também analisam a movimentação dos recursos e a prestação de contas dos projetos beneficiados pelas emendas.
Mário Frias nega irregularidades e contestou a operação publicamente. O deputado classificou a ação como uma tentativa de criar uma “cortina de fumaça” e afirmou que pretende apresentar documentos para demonstrar sua versão dos fatos. A defesa também sustenta que não houve fundamento para as suspeitas levantadas contra ele.
A produção de “Dark Horse” também entrou no radar das autoridades por causa de recursos privados atribuídos a Daniel Vorcaro. Em maio, Mário Frias admitiu que o filme recebeu dinheiro relacionado ao empresário, após anteriormente afirmar que não havia recursos do Banco Master na produção. Segundo Frias, a diferença estaria na origem formal do investimento e não significaria que o Banco Master tivesse participado diretamente como investidor.
Com o pedido apresentado pelo PSOL-Rede, caberá ao Conselho de Ética da Câmara analisar a representação e decidir sobre a abertura de um processo disciplinar. A eventual cassação não ocorre automaticamente com o pedido nem com a investigação policial. O procedimento parlamentar possui etapas próprias e depende de deliberações dentro da Câmara.
O episódio amplia a repercussão política em torno de “Dark Horse”, que passou de uma produção cinematográfica ligada à trajetória de Jair Bolsonaro para objeto de investigações sobre movimentações financeiras, emendas parlamentares e possíveis irregularidades. Enquanto as autoridades aprofundam a apuração, Mário Frias permanece sob investigação e mantém a defesa de que não cometeu irregularidades.EJA TAMBÉM:
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