A discussão sobre o andamento das obras da estação de metrô da Brasilândia marcou o confronto entre Fernando Haddad (PT) e Tarcísio de Freitas (Republicanos) durante a campanha eleitoral desta terça-feira (29). O candidato ao governo de São Paulo e ex-prefeito da capital questionou o atual governador sobre a demora na conclusão do projeto e lembrou que o terreno destinado à construção havia sido entregue durante sua gestão na Prefeitura de São Paulo.
Confira detalhes no vídeo:
Haddad utilizou o histórico da obra para cobrar explicações sobre o tempo necessário para que o projeto avançasse. Segundo o candidato, a entrega do terreno ocorreu cerca de dez anos antes, período considerado por ele suficiente para que a construção apresentasse resultados mais concretos. A estação Brasilândia faz parte de um projeto de expansão da rede metroviária da capital e tem impacto especialmente para moradores da zona norte.
Tarcísio, que assumiu o governo paulista em 2023, respondeu que não era responsável pela administração municipal no período mencionado por Haddad. O governador também contestou a tentativa de associar diretamente seu mandato ao início da demora da obra, argumentando que o projeto enfrentou problemas antes de sua chegada ao Palácio dos Bandeirantes.
Durante a resposta, Tarcísio citou ainda os efeitos das investigações da Operação Lava Jato sobre contratos envolvendo grandes empreiteiras. De acordo com a argumentação apresentada pelo governador, as investigações contribuíram para a paralisação de obras de infraestrutura no país, incluindo projetos relacionados ao sistema metroviário paulista.
A referência à Lava Jato levou o debate para além da situação específica da estação Brasilândia. A operação, iniciada em 2014, investigou esquemas de corrupção envolvendo empresas, agentes públicos e partidos políticos. Entre os alvos estiveram integrantes e aliados de diferentes grupos políticos, embora o PT tenha sido um dos partidos mais atingidos politicamente pelos desdobramentos das investigações.
A discussão também evidenciou uma disputa sobre a responsabilidade pelo cronograma de grandes obras públicas. Haddad procurou relacionar o atraso à atual administração estadual, enquanto Tarcísio destacou que a origem dos problemas era anterior ao seu governo. A divergência colocou em lados opostos duas interpretações sobre a evolução do projeto e sobre quais gestões devem responder pelos atrasos.
A estação Brasilândia está associada à expansão da Linha 6-Laranja do metrô, empreendimento que passou por diferentes etapas, mudanças de cronograma e períodos de paralisação. O projeto é considerado estratégico para ampliar as alternativas de transporte público na zona norte da capital paulista e melhorar a conexão da região com outras áreas da cidade.
O episódio ocorreu em meio à disputa eleitoral pelo governo de São Paulo, marcada pela tentativa dos candidatos de apresentar resultados de suas trajetórias administrativas e responsabilizar adversários por problemas ainda não solucionados. Obras de mobilidade urbana aparecem como um dos principais temas de interesse dos eleitores da capital e da região metropolitana, especialmente diante da dependência do transporte público para milhões de pessoas.
A troca de acusações sobre a estação Brasilândia, portanto, ultrapassou a questão do atraso específico da obra. O confronto serviu para que os candidatos apresentassem versões distintas sobre a origem dos problemas, os efeitos das administrações anteriores e as responsabilidades do atual governo estadual. A continuidade do projeto permanece como um dos pontos relacionados à expansão da infraestrutura de transporte de São Paulo.
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