O último debate entre os candidatos ao governo de São Paulo antes do primeiro turno das eleições foi marcado por uma discussão sobre os atrasos nas obras do metrô, especialmente a construção da estação Brasilândia. O tema colocou Fernando Haddad (PT) e Tarcísio de Freitas (Republicanos) em lados opostos sobre a responsabilidade pelo andamento do projeto.
Durante o encontro realizado na noite de terça-feira (29), Haddad questionou Tarcísio sobre a demora para a conclusão da obra. O candidato petista lembrou que o terreno utilizado para a construção da estação havia sido cedido pela Prefeitura de São Paulo durante sua administração, aproximadamente dez anos antes. A cobrança teve como objetivo destacar o período transcorrido desde a disponibilização da área até a execução do projeto.
A estação Brasilândia integra a Linha 6-Laranja do Metrô, empreendimento planejado para ampliar a rede de transporte sobre trilhos na zona norte da capital paulista. A obra passou por dificuldades ao longo dos anos, incluindo paralisações e alterações no cronograma, tornando-se um dos projetos de mobilidade urbana mais discutidos durante o debate eleitoral.
Tarcísio, que assumiu o governo paulista em janeiro de 2023, respondeu que não ocupava o cargo de governador quando os principais problemas relacionados ao projeto ocorreram. O atual governador também relacionou a paralisação da obra aos efeitos da Operação Lava Jato sobre as empresas responsáveis por grandes contratos de infraestrutura.
Ao abordar o assunto, Tarcísio associou a paralisação da construção às investigações de corrupção realizadas pela Lava Jato e responsabilizou administrações ligadas ao Partido dos Trabalhadores pelo contexto que, segundo sua argumentação, levou à interrupção do empreendimento. A fala ampliou o confronto político e levou o debate sobre uma obra estadual para questões relacionadas à política nacional.
O episódio também expôs uma disputa sobre a origem dos atrasos. Haddad apresentou o tempo decorrido desde a entrega do terreno como argumento para questionar a velocidade da execução. Tarcísio, por outro lado, destacou que sua gestão recebeu projetos que já enfrentavam problemas e afirmou que sua administração trabalhou para retomar e concluir empreendimentos que estavam paralisados.
A Linha 6-Laranja é considerada uma obra importante para a mobilidade da zona norte de São Paulo. O projeto prevê a ligação entre Brasilândia e a região central da cidade, ampliando as possibilidades de deslocamento de moradores que dependem diariamente do transporte coletivo.
A discussão ocorreu em um momento de forte disputa entre os dois candidatos. Ao longo do debate, Haddad e Tarcísio também trocaram acusações sobre segurança pública, saúde, educação, privatizações, situação fiscal e relação com os governos federais de Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro. A infraestrutura de transporte foi mais um dos assuntos utilizados pelos candidatos para questionar os resultados e as responsabilidades de administrações anteriores.
O confronto sobre a estação Brasilândia também envolveu uma disputa pela responsabilidade política sobre a obra. Haddad procurou destacar que o projeto já deveria ter avançado significativamente desde a entrega do terreno durante sua passagem pela Prefeitura de São Paulo. Tarcísio, por sua vez, enfatizou que os problemas começaram antes de seu mandato e apresentou a Lava Jato como um dos fatores que contribuíram para a paralisação.
Além da discussão sobre o passado da obra, o debate colocou em evidência a expectativa pela conclusão do projeto. A atual administração estadual afirma que a estação será entregue até o fim de 2026. O cumprimento do cronograma representa uma questão relevante para os moradores da região, que aguardam a expansão do transporte metroviário.
A troca entre Haddad e Tarcísio terminou como um dos momentos de maior confronto do debate. A discussão sobre a estação Brasilândia acabou servindo como exemplo da disputa entre os candidatos para definir quem deve assumir a responsabilidade pelos atrasos e quem pode reivindicar os resultados da retomada das obras.
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