A nova pesquisa Quaest sobre a disputa presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro indica um cenário de equilíbrio entre os dois candidatos e coloca no centro das atenções o comportamento dos eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno. O levantamento divulgado nesta quarta-feira (21) mostra Flávio com 45% das intenções de voto, contra 44% de Lula.
Confira detalhes no vídeo:
A diferença de um ponto percentual evidencia uma disputa acirrada, na qual a participação dos eleitores indecisos sobre comparecer à votação pode ter influência sobre o resultado. A análise foi apresentada pelo CEO da Quaest, Felipe Nunes, durante participação no programa Radar, da GloboNews.
De acordo com os dados apresentados, os dois candidatos mantêm a maior parte do apoio recebido entre os eleitores que já haviam escolhido um deles no primeiro turno. Esse comportamento indica que a disputa está concentrada, principalmente, na tentativa de conquistar votos de outros segmentos do eleitorado.
Entre as pessoas que votaram em candidatos diferentes de Lula e Flávio na primeira etapa da eleição, o senador aparece em vantagem. Nesse grupo, ele registra 43% das intenções de voto, enquanto o atual presidente soma 37%. O resultado aponta uma vantagem de Flávio entre eleitores que anteriormente optaram por outras candidaturas.
O cenário muda quando a análise considera quem não compareceu às urnas ou escolheu votar em branco ou nulo. Nesse segmento, Lula aparece com 40%, enquanto Flávio alcança 36%. A diferença favorece o presidente e ajuda a explicar como os resultados gerais podem permanecer próximos, mesmo com a vantagem do senador entre eleitores que apoiaram outros candidatos no primeiro turno.
Entretanto, o comportamento desse grupo representa uma variável importante para a reta final da campanha. Segundo a análise apresentada por Felipe Nunes, parte desses eleitores já deixou de participar da votação uma vez. Caso esse comportamento se repita no segundo turno, os votos que aparecem nas intenções de voto, mas não se transformam em participação efetiva, poderão alterar o equilíbrio observado no levantamento.
Por outro lado, se esses eleitores comparecerem às urnas, Lula poderá ter melhores condições de aproveitar a vantagem identificada nesse segmento. A possibilidade, porém, depende da participação efetiva no pleito e da manutenção das preferências indicadas pela pesquisa.
A diferença entre intenção de voto e voto efetivamente registrado é um dos pontos centrais da análise eleitoral. Pesquisas tradicionais consultam uma amostra de eleitores, mas nem todos os entrevistados necessariamente comparecem à votação. Por isso, a estimativa de participação pode modificar a leitura do cenário, especialmente quando a disputa apresenta uma diferença pequena entre os candidatos.
A Quaest deverá aprofundar essa avaliação no sábado, com a aplicação de um filtro de eleitor provável no levantamento previsto para a véspera da votação. O procedimento busca estimar quais entrevistados têm maior probabilidade de comparecer às urnas.
Com Lula e Flávio separados por apenas um ponto percentual na pesquisa divulgada na quarta-feira, a participação dos eleitores que estiveram ausentes no primeiro turno aparece como uma das variáveis relevantes para compreender o cenário eleitoral. O próximo levantamento poderá oferecer uma indicação mais precisa sobre como a disposição de votar influencia a disputa, sem garantir antecipadamente o resultado das urnas.
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