O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, manifestou preocupação com a soberania digital do Brasil após pressões externas de grandes empresas de tecnologia. Em declaração publicada na rede social X, Mendes destacou que o país enfrenta uma dependência significativa de infraestrutura digital controlada por corporações estrangeiras, o que coloca em risco dados estratégicos e a segurança nacional. A declaração surge em meio a informações de que gigantes da tecnologia, como Google, Amazon, Apple, Meta e Microsoft, levaram queixas ao governo de Donald Trump contra decisões recentes do STF e da Anatel, além de se posicionarem contrárias à proposta de taxação das big techs pelo governo brasileiro.
Segundo Mendes, a concentração de serviços digitais em poucas empresas internacionais representa uma vulnerabilidade para o Brasil, especialmente porque grande parte da infraestrutura de interconexão global está localizada em países do Norte Global. Isso faz com que dados produzidos e armazenados no Sul Global, incluindo o Brasil, precisem transitar obrigatoriamente por servidores e redes externas, aumentando os riscos de interceptações, manipulação e uso indevido das informações. O ministro ressaltou que essa situação exige um planejamento estratégico para reduzir a dependência e garantir que o país tenha controle sobre suas informações digitais.
Além de questões de segurança, Mendes enfatizou o impacto da concentração de dados no setor educacional. Plataformas privadas centralizam informações fora do país, limitam suporte em idiomas locais e acabam transferindo funções que deveriam ser responsabilidade do Estado para corporações privadas. Ele argumentou que o Brasil possui capacidade tecnológica e recursos energéticos renováveis suficientes para desenvolver infraestrutura própria, mas que é necessário investir de forma estratégica antes que a dependência se consolide. Mendes citou ainda estudos que apontam gastos superiores a R$ 23 bilhões em contratos de softwares e serviços de nuvem entre 2014 e 2025, reforçando a magnitude do problema.
A posição do ministro reflete uma preocupação crescente com a soberania digital brasileira e a necessidade de reduzir a exposição a decisões tomadas fora do país. Especialistas apontam que a concentração de dados e serviços digitais em mãos de empresas estrangeiras não apenas limita a autonomia nacional, mas também gera riscos econômicos, estratégicos e políticos. Mendes destacou que o país precisa aproveitar seu potencial tecnológico para criar alternativas próprias, fortalecendo a infraestrutura digital interna e garantindo que informações sensíveis permaneçam sob controle nacional.
A reação do ministro vem em um momento em que discussões sobre regulação, tributação e monitoramento de grandes empresas de tecnologia ganham força internacionalmente. A defesa de soberania digital tem se tornado um tema central em debates sobre proteção de dados, segurança cibernética e autonomia tecnológica. Mendes concluiu que o Brasil precisa agir com urgência para evitar que dependências externas comprometam a tomada de decisões estratégicas e a proteção de informações essenciais ao desenvolvimento do país.
O posicionamento de Gilmar Mendes reforça a importância de políticas públicas voltadas para a independência digital e a criação de um ambiente seguro e autônomo, capaz de atender às demandas nacionais sem depender excessivamente de infraestrutura e serviços controlados por corporações internacionais.
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