BRASIL: LULA COLOCA EM SIGILO PAUTA CONTROVERSA E RECEBE CRÍTICAS





Um levantamento recente indica que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ampliou o uso do sigilo como justificativa para negar pedidos feitos por cidadãos com base na Lei de Acesso à Informação (LAI). Entre os anos de 2023 e 2025, mais de 30 mil solicitações encaminhadas a órgãos federais não obtiveram resposta, revelando um cenário de maior restrição ao acesso a dados públicos. O número chama atenção por representar não apenas um volume elevado de demandas sem retorno, mas também por indicar uma mudança de postura em relação à transparência administrativa.

Confira detalhes no vídeo:

Percentual de negativas por sigilo aumenta

De acordo com os dados analisados, a taxa de pedidos negados sob a justificativa de sigilo chegou a 34% no período recente. O percentual é superior ao registrado na gestão anterior, o que tem alimentado críticas de especialistas e de entidades que acompanham a aplicação da LAI. A legislação, em vigor desde 2012, estabelece que o acesso à informação é a regra, enquanto o sigilo deve ser a exceção, aplicado apenas em situações específicas previstas em lei.

O crescimento desse índice levanta questionamentos sobre a interpretação adotada pelos órgãos públicos ao classificar informações como sigilosas. Em muitos casos, pedidos relacionados a contratos, gastos, agendas de autoridades e documentos administrativos acabam enquadrados em algum grau de restrição, dificultando o controle social e a fiscalização por parte da sociedade.

Solicitações sem resposta preocupam

Além do aumento das negativas formais, o levantamento mostra que mais de 30 mil solicitações sequer foram respondidas no intervalo de dois anos. A ausência de resposta é considerada uma das falhas mais graves no cumprimento da LAI, já que a lei determina prazos claros para que os órgãos se manifestem, ainda que seja para justificar a impossibilidade de fornecer os dados solicitados.

Esse cenário gera frustração entre cidadãos, jornalistas e pesquisadores que utilizam a ferramenta como meio legítimo para obter informações públicas. Também reforça a percepção de que a transparência ativa, aquela em que o próprio governo divulga dados de interesse coletivo, não tem sido suficiente para suprir as demandas da sociedade.

Posicionamento da CGU

A Controladoria-Geral da União, órgão responsável por monitorar a aplicação da Lei de Acesso à Informação no âmbito federal, afirma que os critérios adotados seguem a legislação vigente. Segundo o órgão, as negativas por sigilo estariam fundamentadas em dispositivos legais que protegem informações pessoais, dados estratégicos do Estado ou conteúdos cujo acesso poderia comprometer investigações e a segurança institucional.

A CGU também sustenta que o aumento no número de pedidos e a complexidade das solicitações contribuem para o volume de negativas e para o atraso nas respostas. Ainda assim, reconhece a necessidade de aprimorar os fluxos internos e a capacitação dos servidores responsáveis pela análise dos requerimentos.

Debate sobre transparência segue aberto

O crescimento do uso do sigilo reacende o debate sobre os limites entre transparência e proteção de informações sensíveis no setor público. Para defensores do acesso à informação, é fundamental que o governo reforce a cultura de abertura e reduza interpretações excessivamente restritivas da lei. Já o Executivo argumenta que age dentro da legalidade e que o sigilo, quando aplicado, atende ao interesse público.

Enquanto o tema permanece em discussão, os números do levantamento indicam que o acesso à informação, um dos pilares da democracia e do controle social, enfrenta novos desafios no atual cenário político-administrativo brasileiro.

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