Um áudio divulgado recentemente trouxe à tona uma situação controversa envolvendo a gerência regional do Postal Saúde no Pará, plano de saúde dos Correios. Na gravação, Janaína Sampaio Dias informa aos seus subordinados que a permanência deles nos cargos está vinculada ao envolvimento em atividades políticas junto ao ministro do Turismo, Celso Sabino, que pretende disputar uma vaga no Senado nas eleições de 2026.
No áudio, enviado em 23 de dezembro de 2024 a um grupo de WhatsApp dos funcionários, Janaína relata a negociação feita com o ministro Celso Sabino. Segundo ela, foi garantido que não haveria troca de pessoal na equipe, pois a operadora de saúde depende de profissionais experientes. Contudo, fica claro que os servidores deverão se engajar em ações políticas, principalmente a partir de 2026, quando o trabalho eleitoral será intenso e sem horários fixos.
Ela reforça que, apesar do ano de 2025 ser dedicado a atividades rotineiras, o ano seguinte exigirá dedicação constante e intensa à campanha política, com “não tem dia, não tem hora” para o esforço. A gerente pede o comprometimento de todos, deixando claro que o envolvimento político é condição para manter os cargos na equipe.
Janaína foi nomeada para o cargo de gerente regional em junho de 2024. A nomeação está inserida em um contexto político em que o ministro das Comunicações, Frederico Silveira — responsável pelos Correios — é aliado e correligionário do ministro Celso Sabino, do União Brasil. Isso reforça a ligação política entre a gestão dos Correios e o ministério do Turismo, evidenciando articulações entre os poderes políticos e administrativos.
O Postal Saúde é uma operadora de saúde que movimenta bilhões de reais anualmente, administrando recursos que chegam a R$ 2 bilhões por ano para procedimentos médicos de seus mais de 200 mil usuários. Os Correios repassam cerca de R$ 100 milhões por mês para o custeio do plano.
Nos últimos anos, os escritórios do Postal Saúde em diversos estados têm sido apontados como locais para nomeações políticas, funcionando como verdadeiros cabides de emprego. O volume de recursos envolvidos e a rede de atendimento ampla fazem do Postal Saúde um órgão estratégico, suscetível a influências políticas.
A exigência expressa no áudio de que os funcionários se dediquem à política em troca da permanência em seus cargos levanta questões éticas e legais sobre o uso da estrutura pública para fins eleitorais. Além disso, mostra a instrumentalização do Postal Saúde como instrumento de apoio político para o ministro do Turismo, que busca ampliar sua base eleitoral.
Até o momento, não houve resposta oficial por parte da gerência do Postal Saúde nem do Ministério do Turismo sobre o conteúdo do áudio. O caso deve intensificar debates sobre práticas políticas dentro de órgãos públicos e estatais que gerenciam recursos públicos e serviços essenciais para a população.
O episódio evidencia a complexidade das relações entre política e administração pública, especialmente em órgãos com grande impacto social e financeiro, onde a influência eleitoral pode comprometer a neutralidade e a eficiência da gestão pública.
VEJA TAMBÉM:
Garanta acesso ao nosso conteúdo clicando aqui, para entrar no grupo do WhatsApp onde você receberá todas as nossas matérias, notícias e artigos em primeira mão (apenas ADMs enviam mensagens).
Clique aqui para ter acesso ao livro escrito por juristas, economistas, jornalistas e profissionais da saúde conservadores que denuncia absurdos vividos no Brasil e no mundo, como tiranias, campanhas anticientíficas, atos de corrupção, ilegalidades por notáveis autoridades, fraudes e muito mais.
Comentários
Postar um comentário
Cadastre seu e-mail na barra "seguir" para que você possa receber nossos artigos em sua caixa de entrada e nos acompanhe nas redes sociais.