O cenário político paulista foi sacudido nos últimos dias após Eduardo Bolsonaro (PL-SP) intensificar suas investidas verbais contra o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP). Ao chamar o governador de “submisso às elites”, o deputado federal evidenciou as rachaduras cada vez mais visíveis dentro da direita, principalmente entre os bolsonaristas mais radicais e alas que buscam um caminho mais pragmático.
A fala de Eduardo não veio por acaso. O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro já vinha manifestando insatisfação com a condução do governo paulista, que tem procurado ampliar o diálogo com empresários, setores do agronegócio, investidores e partidos mais ao centro. Para o núcleo duro bolsonarista, essa postura indica um afastamento da linha ideológica mais conservadora que foi marca registrada da campanha de Tarcísio em 2022.
Dentro desse contexto, a crítica de Eduardo funciona como uma tentativa de reafirmar a força do discurso mais radical, lembrando aliados e eleitores de que existe uma vigilância constante sobre aqueles que, na visão do deputado, podem estar se afastando do projeto original do bolsonarismo. Para apoiadores de Eduardo, Tarcísio estaria se tornando um político disposto a ceder aos interesses de grupos tradicionais, rompendo com a postura de enfrentamento que caracterizou o governo Bolsonaro.
Do lado do Palácio dos Bandeirantes, o governador tem preferido evitar confrontos diretos com Eduardo Bolsonaro. Assessores próximos avaliam que Tarcísio, ao adotar uma linha de diálogo com diferentes setores, busca consolidar sua imagem como um administrador técnico, com foco em obras, concessões, investimentos e geração de empregos. A estratégia é ampliar sua popularidade além do público bolsonarista, algo essencial para garantir governabilidade e viabilizar novos projetos políticos no futuro.
Para analistas, a troca de farpas revela muito mais do que uma disputa pessoal. Mostra o esforço do bolsonarismo mais fiel em se manter como principal referência da direita no país. Sem Jair Bolsonaro na Presidência, figuras como Eduardo tentam ocupar esse espaço, mantendo a militância mobilizada e criticando quem, dentro do próprio campo político, sinaliza aproximação com setores considerados parte do “sistema”.
A tensão entre Eduardo e Tarcísio também respinga em outras lideranças da direita, que observam de perto os desdobramentos para decidir até que ponto vale manter vínculos com o núcleo bolsonarista mais radical. No Partido Liberal, por exemplo, a situação é vista com cautela, já que a legenda precisa equilibrar o apoio de uma base ideológica forte com alianças regionais estratégicas.
Em São Paulo, maior vitrine política do país, o embate ganha contornos ainda mais relevantes. Para o eleitor conservador, surge o dilema entre manter fidelidade a um discurso mais combativo ou apostar em um perfil de gestor que promete resultados concretos na administração do Estado.
O episódio promete influenciar o ambiente político nos próximos anos, principalmente em um momento em que as articulações para 2026 já começam a aparecer nos bastidores. Se o racha dentro da direita se aprofundar, a base que garantiu vitórias expressivas no passado pode enfrentar dificuldades para se manter coesa. Resta saber se o discurso mais duro de Eduardo Bolsonaro terá força para barrar o avanço de lideranças que optam por uma postura mais moderada e pragmática.
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