Em mais uma fala marcada por sua retórica de confronto entre classes, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a direcionar críticas a eleitores de baixa renda que optam por políticos com grande poder econômico. Durante uma visita a uma comunidade na periferia de Osasco, na região metropolitana de São Paulo, nesta sexta-feira (25), Lula comparou essa escolha a “colocar uma raposa dentro de um galinheiro”, reforçando seu discurso de que a população mais pobre não deveria confiar o voto a representantes ricos.
No discurso, Lula afirmou que ainda é comum ver moradores de regiões mais carentes justificarem o voto em candidatos milionários sob a crença de que, por já serem ricos, eles não teriam necessidade de roubar. Para o presidente, esse argumento é frágil, já que, em sua visão, muitos desses políticos acumularam fortunas justamente por meio de práticas irregulares ou questionáveis. Com isso, Lula intensifica a narrativa que vem utilizando com frequência para mobilizar seu eleitorado, apostando em um discurso que opõe pobres e ricos.
A comparação com uma raposa solta em um galinheiro evidencia o tom que Lula pretende manter em falas direcionadas a suas bases populares. Ao insistir nessa imagem, ele reforça a ideia de que políticos abastados seriam uma ameaça aos interesses da população mais vulnerável. A estratégia de retomar essa retórica reforça a identidade do presidente como defensor da classe trabalhadora, papel que marcou sua trajetória desde o surgimento como líder sindical.
Por outro lado, o posicionamento também gera debates, já que o próprio Lula declarou ao Tribunal Superior Eleitoral, em 2022, ter um patrimônio que passa dos R$ 7 milhões, boa parte aplicada em previdência privada — realidade distante da maioria dos brasileiros, que dependem exclusivamente da aposentadoria pública. Ainda assim, a figura do ex-metalúrgico segue sendo um símbolo de identificação para parcelas significativas do eleitorado de baixa renda.
A escolha de insistir nesse discurso faz parte de uma linha adotada pelo governo federal desde o início do mandato, buscando consolidar a base popular por meio de uma mensagem clara de que há uma disputa constante entre interesses do povo e da elite econômica. A retórica, presente em discursos, entrevistas e peças de comunicação do governo, deve se manter em destaque até o próximo ciclo eleitoral, previsto para 2026.
A fala em Osasco, além de reafirmar o tom de campanha permanente, mostra também a tentativa do governo de fortalecer sua presença em regiões periféricas, áreas onde Lula costuma ter apoio expressivo. Visitas a bairros mais pobres e encontros com a comunidade fazem parte da estratégia de manter viva a conexão com esse segmento, que historicamente garantiu vitórias eleitorais ao petista.
Enquanto isso, o ambiente político permanece altamente polarizado, com a retórica do “nós contra eles” estimulando debates intensos e dividindo opiniões. Críticos argumentam que o discurso alimenta divisões em vez de promover pontes entre grupos com visões diferentes, mas aliados de Lula apostam que a narrativa continuará sendo eficaz para enfrentar a oposição, que, em sua maioria, é associada a interesses de setores mais ricos.
Em um país marcado por profundas desigualdades sociais, a discussão sobre quem deve governar e de que forma as classes se representam politicamente segue central no debate público. O desafio de Lula é equilibrar seu papel de símbolo do trabalhador com a condição atual de líder que acumula patrimônio, sem perder a sintonia com o eleitorado que o transformou em uma das figuras mais influentes da história recente do Brasil.
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