VÍDEO: PADRE QUESTIONA PODER DOS “ORIXÁS” PARA RESSUSCITAR PRETA GIL E VIRALIZA


O padre Danilo César, pároco da Paróquia Areial, em Campina Grande, foi alvo de críticas e defesas nesta quarta-feira, 30 de julho, após um vídeo de uma de suas homilias se espalhar nas redes sociais. Durante a missa, o sacerdote fez comentários envolvendo a fé de Preta Gil, falecida no último dia 20, mencionando a devoção da cantora aos orixás e questionando por que essas entidades não teriam impedido sua morte. As palavras rapidamente geraram reações, inclusive de entidades ligadas às religiões de matriz africana, que divulgaram nota de repúdio.

No trecho que viralizou, o padre questiona o poder das divindades do Candomblé, religião à qual Preta Gil era ligada, embora também fosse devota de Nossa Senhora Aparecida. Para alguns, a fala soou ofensiva e desrespeitosa, mas para muitos fiéis, trata-se apenas de uma manifestação de fé e da liberdade de um líder religioso ensinar e reafirmar as crenças de sua igreja dentro de um ambiente de culto.

A polêmica evidencia um tema sensível: até que ponto líderes religiosos podem expressar opiniões que confrontem outras crenças? A liberdade religiosa no Brasil garante que templos, igrejas e terreiros sejam espaços onde cada tradição espiritual possa expor seus valores, mesmo quando isso envolve críticas ou contraposições. No caso do padre Danilo César, ele falou durante uma missa, dirigida a católicos, reafirmando a fé cristã em Cristo e na vida eterna, o que é coerente com os princípios centrais da Igreja Católica.

As manifestações de repúdio são legítimas e fazem parte do mesmo direito de expressão. Porém, defender que o sacerdote seja silenciado ou punido por falar aos fiéis dentro de sua paróquia é abrir um precedente perigoso. Se padres, pastores, pais e mães de santo ou qualquer outro líder não puderem expor sua doutrina em seus próprios altares, corre-se o risco de limitar a essência do livre exercício de fé.

O Brasil é um país plural, onde convivem igrejas católicas, terreiros, templos evangélicos, centros espíritas e diversas outras formas de religiosidade. Essa convivência pressupõe respeito mútuo, mas também o entendimento de que cada líder espiritual tem a missão de ensinar, orientar e até mesmo confrontar visões que considere contrárias ao que sua fé prega. Isso faz parte do diálogo religioso, que só é possível quando há liberdade para discordar.

No caso da declaração de Danilo César, não houve incitação à violência ou ataque pessoal, mas sim uma pergunta retórica dentro de um contexto de pregação. Quem participa de missas católicas sabe que é comum padres falarem de salvação, vida após a morte e fazerem comparações entre o cristianismo e outras tradições, como forma de fortalecer a fé dos fiéis.

O episódio reforça o quanto ainda é necessário avançar na convivência pacífica entre diferentes religiões, sem criminalizar a palavra de quem lidera uma comunidade espiritual. O debate sobre intolerância religiosa é válido e essencial, mas não pode virar ferramenta para silenciar discursos de púlpito que, dentro de seus espaços, seguem as tradições e valores que representam.

Defender o padre Danilo César, nesse contexto, não significa atacar o Candomblé, a Umbanda ou qualquer outra fé, mas garantir que o direito de professar crenças seja o mesmo para todos. A pluralidade religiosa brasileira só é real quando católicos, umbandistas, evangélicos, judeus, espíritas ou ateus podem se manifestar livremente — cada um em seu espaço sagrado, reafirmando sua visão de mundo.


VEJA TAMBÉM:

Garanta acesso ao nosso conteúdo clicando aqui, para entrar no grupo do WhatsApp onde você receberá todas as nossas matérias, notícias e artigos em primeira mão (apenas ADMs enviam mensagens).

Clique aqui para ter acesso ao livro escrito por juristas, economistas, jornalistas e profissionais da saúde conservadores que denuncia absurdos vividos no Brasil e no mundo, como tiranias, campanhas anticientíficas, atos de corrupção, ilegalidades por notáveis autoridades, fraudes e muito mais.

Comentários