O senador Marcos do Val (Podemos-ES) voltou a tensionar o cenário político ao aparecer em um vídeo gravado diretamente dos parques da Disney, em Orlando, Estados Unidos, afrontando abertamente uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que havia proibido sua saída do país. Além de ignorar a determinação, o parlamentar ainda anunciou que pretende seguir para Washington, onde quer relatar supostos abusos do magistrado a autoridades americanas.
A justificativa do senador é que não há nenhuma acusação formal contra ele que justifique a restrição de sua liberdade de ir e vir. Do Val alega que a decisão de Moraes é ilegal e que está sendo vítima de perseguição. Para reforçar essa versão, ele sustenta que sua entrada em solo americano ocorreu de forma legal, utilizando seu passaporte diplomático, que, segundo ele, não foi apreendido pela Polícia Federal nem teve o uso suspenso oficialmente pelo Congresso.
No vídeo divulgado em suas redes sociais, Do Val surge nos parques temáticos em clima descontraído, mas em tom firme para criticar o ministro do STF. Ele acusa Moraes de ferir a Constituição e afirma que órgãos internacionais estariam atentos ao que define como arbitrariedades do Judiciário brasileiro. O senador, que teve suas contas bloqueadas recentemente por ordem do próprio Moraes, disse que a decisão de não voltar imediatamente ao Brasil foi motivada justamente por essa nova medida.
A movimentação de Do Val mostra que o senador aposta na visibilidade internacional como forma de pressionar o Supremo. Ao dizer que vai se reunir com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, o parlamentar tenta internacionalizar o caso, transformando uma disputa jurídica interna em uma pauta diplomática. O gesto, no entanto, deve criar mais embaraços para o governo, que já observa com preocupação a tensão constante entre o Congresso e a cúpula do Judiciário.
Enquanto isso, aliados do senador reforçam o discurso de que Moraes estaria abusando de sua autoridade ao impor restrições sem aval do Parlamento. Do Val também argumenta que, por ter outras cidadanias, poderia entrar nos EUA por vias alternativas, mas optou por usar o passaporte diplomático, emitido pelo Itamaraty, e que segue válido até 2033, segundo ele.
O vídeo do senador circulou rapidamente pelas redes e acendeu uma nova onda de críticas e questionamentos sobre os limites do STF para garantir o cumprimento de suas decisões. Para setores críticos, a gravação em um ponto turístico americano tem um tom de deboche e revela uma estratégia de se apresentar como alvo de perseguição, recurso retórico comum entre políticos que se colocam em confronto direto com Moraes.
Já no meio jurídico, o ato é visto como grave provocação, que pode levar o Supremo a adotar medidas mais duras para reforçar sua autoridade. Apesar da postura desafiante de Do Val, o descumprimento da ordem abre brecha para que Moraes avalie novas sanções.
Em meio ao recesso parlamentar, o episódio amplia o desgaste institucional e evidencia como a disputa de narrativas continua viva entre Judiciário e parte da classe política. Enquanto Do Val se exibe na Disney, Moraes analisa os próximos passos em um jogo de poder que deve ter novos capítulos nos próximos dias.
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