Em um gesto incomum mesmo para os padrões da política americana, o presidente Donald Trump protagonizou um momento de tensão na sede do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos. A visita aconteceu na última quinta-feira (24), em Washington, e teve como foco uma cobrança direta ao presidente do Fed, Jerome Powell, sobre a condução da política de juros e sobre o valor de reformas em prédios históricos da instituição.
A presença de Trump nos corredores do banco central já seria motivo de atenção por si só. Não é frequente que um presidente — ou mesmo um presidente em exercício — caminhe por um canteiro de obras do Fed, muito menos para confrontar abertamente o responsável pela autoridade monetária do país. Mas, fiel ao estilo que marcou sua passagem pela Casa Branca, Trump aproveitou a ocasião para pressionar Powell a reduzir as taxas de juros e levantar dúvidas sobre o orçamento das reformas.
Usando capacete de segurança, Trump acompanhou Powell em uma vistoria pelo local em obras. Foi durante esse trajeto que o presidente disparou suas críticas. Ele afirmou que os custos teriam subido para cerca de US$ 3,1 bilhões, valor que, segundo ele, estaria inflacionado. Powell, ao ouvir o número, não conseguiu disfarçar a irritação: fechou os olhos, balançou a cabeça e respondeu que não tinha informações de um aumento desse porte.
Trump ainda entregou um pedaço de papel ao presidente do Fed, detalhando de onde teria tirado o novo valor. Powell olhou a anotação e rebateu, dizendo que o montante incluía gastos de uma obra já finalizada no Edifício Martin, reformado há cinco anos. Para o chefe do banco central, não havia surpresa. Para Trump, no entanto, a explicação não encerrou o assunto.
O presidente também aproveitou para deixar claro como agiria em uma situação semelhante, dizendo que, se fosse um gerente de projeto que estourasse o orçamento, ele o demitiria na hora. Mesmo assim, disse que gostaria de ver a obra concluída, mas reforçou que não aceitaria custos adicionais sem justificativa, insinuando que os números estariam fora de controle.
Esse tipo de pressão não é novidade. Durante seu mandato, Trump fez questão de usar a opinião pública para pressionar o Fed a cortar os juros, rompendo uma tradição de respeito à autonomia do banco central. Agora, mesmo fora do governo, volta a dar sinais de que não pretende abandonar o tema — reforçando seu discurso de que taxas elevadas prejudicam o consumidor, encarecem empréstimos e freiam a economia.
Para analistas, o episódio em Washington também é visto como mais um movimento para manter seu nome em evidência no debate eleitoral. Ao aparecer de forma inusitada no Fed, Trump mostra ao eleitor que continua disposto a desafiar figuras centrais do sistema financeiro americano. O embate direto com Powell reforça sua imagem de político que não teme enfrentar as instituições, principalmente quando o assunto é o bolso do cidadão.
Enquanto isso, Jerome Powell precisa equilibrar o trabalho de conter pressões inflacionárias e manter a estabilidade do sistema financeiro, agora novamente sob holofotes. O encontro desta semana deixou claro que, para Trump, a campanha de pressão sobre o Fed continua — mesmo que, para isso, ele precise visitar um canteiro de obras para criar mais uma cena de impacto.
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