BRASIL: HUGO MOTTA DESLIGA AR-CONDICIONADO DA CÂMARA PARA IMPEDIR ATO A FAVOR DE BOLSONARO


A decisão do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Mota, de proibir reuniões nas comissões durante o recesso parlamentar abriu um novo capítulo de tensão entre governo e oposição em Brasília. A medida, anunciada na última terça-feira, inviabilizou encontros que estavam sendo articulados por deputados contrários ao governo para demonstrar apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro e debater propostas como anistia aos presos dos atos de 8 de janeiro.

Confira detalhes no vídeo:

A determinação pegou a oposição de surpresa. O líder do PL na Câmara, deputado Sósthenes Cavalcante, não poupou críticas e classificou a ordem como “ilegal” e “antirregimental”. Para ele, a decisão fere o direito dos parlamentares de se reunir para debater projetos e posicionamentos, mesmo em período de recesso, que, na prática, não impede atividades internas na Casa.

Apesar do tom crítico, Sósthenes afirmou que a oposição vai acatar a decisão da mesa diretora, mas reforçou que o trabalho continuará nos gabinetes e também em agendas nas ruas. Segundo o deputado, essa postura demonstra que o grupo não é composto por extremistas, como é frequentemente acusado, mas sim por parlamentares dispostos a manter a mobilização política em defesa de suas pautas.

A polêmica ganhou ainda mais força após a deputada Júlia Zanatta denunciar que Hugo Mota teria mandado desligar o ar-condicionado das salas da Câmara para dificultar encontros da oposição. Segundo ela, uma assessora chegou a passar mal por causa do calor intenso. Para Júlia, o ato foi uma forma de pressão e uma afronta direta ao direito de atuação dos parlamentares.

Outros nomes da oposição, como Paulo Bilynskyj, da Comissão de Segurança Pública, e Felipe Barros, da Comissão de Relações Exteriores, também reagiram à decisão do presidente da Câmara e prometeram mobilizações políticas para pressionar pela reversão da medida. Um dos focos principais é garantir a tramitação de projetos que miram o Supremo Tribunal Federal, como propostas para criar novos tipos de crime de responsabilidade para ministros e tornar mais rígido o processo de impeachment de magistrados.

Em entrevista à CNN Brasil, Hugo Mota justificou a suspensão das reuniões alegando que sessões durante o recesso poderiam prejudicar a representação democrática, já que muitos deputados estariam fora de Brasília, em período de descanso. Para o presidente da Câmara, a decisão preserva o princípio de pluralidade de vozes no Parlamento e evita que apenas um grupo avance suas pautas sem a presença de todos os parlamentares.

Especialistas em regimento interno apontam, porém, que as comissões podem se reunir para audiências, oitivas e discussões, desde que não haja votações deliberativas, justamente por conta do recesso. Para críticos, Mota ultrapassou limites ao impedir até mesmo encontros informais, o que reforça o argumento de que há motivação política na decisão.

Nos bastidores, aliados do presidente da Câmara apontam que ele tenta reduzir tensões em um momento delicado, já que lideranças da oposição buscam aumentar o tom contra o STF e fortalecer a narrativa de anistia para apoiadores de Bolsonaro. Já adversários enxergam na postura de Mota um alinhamento com o Supremo, após reuniões e encontros com ministros e outras autoridades.

O episódio reacende o debate sobre a autonomia do Congresso, o papel da oposição e os limites de poder da mesa diretora em momentos de crise política. Com o recesso próximo do fim, os embates prometem se intensificar ainda mais no retorno das atividades legislativas, sinalizando um semestre turbulento na Câmara dos Deputados.

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