A imposição de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros pelo presidente norte-americano, Donald Trump, deixou o governo Lula em uma posição desconfortável e revelou, mais uma vez, a fragilidade da condução da política externa e econômica do Planalto. Diante do impacto direto sobre setores estratégicos, Lula precisou convocar às pressas três ministérios para tentar articular uma resposta: Itamaraty, Fazenda e Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, comandados por Mauro Vieira, Fernando Haddad e Geraldo Alckmin, respectivamente.
Confira detalhes no vídeo:
A movimentação, no entanto, soa mais como reação improvisada do que como uma estratégia antecipada para proteger o país de medidas protecionistas cada vez mais comuns na economia global. O governo já vinha sendo alertado por entidades do agronegócio, exportadores e parte do setor industrial sobre o risco de retaliações comerciais vindas de parceiros estratégicos. Mesmo assim, o Palácio do Planalto apostou em uma postura de discurso político, ignorando sinais claros de que o ambiente internacional exigia preparação e negociação técnica.
Agora, com a taxação já decretada, o Brasil corre para tentar reverter um prejuízo que poderia ter sido amenizado com uma diplomacia mais ativa e menos focada em retórica ideológica. Ao reunir três pastas fundamentais, Lula tenta dar a impressão de que há uma frente unida para defender o interesse nacional. Mas, para muitos analistas e lideranças empresariais, o gesto demonstra falta de planejamento e de diálogo prévio com o maior comprador de produtos brasileiros em setores como soja, carne, café, suco de laranja e minérios.
A convocação de Mauro Vieira, Haddad e Alckmin também expõe divergências internas. Enquanto o Itamaraty defende uma negociação diplomática, a equipe econômica teme impactos diretos sobre a balança comercial e as contas públicas. Já o setor produtivo cobra Alckmin por uma postura mais assertiva junto às cadeias industriais para mitigar perdas e buscar mercados alternativos, o que demanda agilidade e pragmatismo que o governo, até agora, não demonstrou ter.
Além disso, a resposta de Lula à crise tarifária revela outra fraqueza: a dependência excessiva de poucos parceiros comerciais. O Brasil, mesmo sendo potência exportadora, ainda não diversificou suficientemente sua pauta de compradores. Assim, quando uma superpotência como os Estados Unidos fecha uma porta, o prejuízo recai de forma pesada sobre produtores, exportadores e, consequentemente, sobre a geração de empregos e a arrecadação de impostos.
Enquanto o governo tenta remendar o estrago, produtores rurais, empresários e trabalhadores do setor exportador ficam reféns de uma resposta que ainda não tem prazos nem metas claras. A falta de um plano B torna o país vulnerável em negociações que, em vez de serem conduzidas com firmeza, acabam dependendo de discursos de soberania que não seguram contratos, não abrem mercados e não impedem concorrentes diretos de ocuparem espaços deixados pelos produtos brasileiros.
Com a nova crise, Lula se vê obrigado a correr atrás do prejuízo. Mas, para o setor produtivo, a reunião emergencial só evidencia que o governo prefere reagir quando a porta já está fechada, em vez de agir preventivamente para evitar que o Brasil seja pego de surpresa e pague a conta de uma diplomacia que se limita a discursos enquanto o mundo protege seus interesses de forma concreta.
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